Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 06/06/2020
O livro “21 lições para o século XXI” do autor Yuval Harari propõe que o homem da antiguidade tinha medo da dominação e o homem atual tem medo da obsolescência. Desse modo, para se ajustar no mercado de trabalho e não temer tal circunstância, muitos buscam qualificação e educação de qualidade.Nesse viés, a opção de Ensino para Jovens e Adultos foi criada para mitigar as barreiras impostas pela desigualdade educacional.No entanto, a pouca disponibilidade de escolas com esse recurso e o machismo estrutural ainda presente na sociedade são grandes desafios a serem superados pelos que buscam essa modalidade de ensino.
A priori, a modalidade de ensino EJA ao longo dos anos proporcionou que muitos pessoas terminassem os estudos e ascendessem socialmente, todavia ainda são poucas as escolas com esse projeto disponíveis por todo território nacional. Sob essa ótica, a música “Pobre educação” da banda irmandade Brasmorra apresenta o seguintes versos: " O bairro do barão é servido de escolas que tendem a crescer e o bairro do pobre então colégio estadual tem pouco a oferecer". Desse modo, é evidente que a pouca oferta de escolas pública e a qualidade das existentes acentua a desigualdade social, já que como foi proposto por Harari a escolha para o mercado de trabalho são para os mais qualificados educacionalmente.
Ademais, as raízes machistas do século passado ainda perduram na sociedade contemporânea impedindo que muitas de mulheres conquistem a emancipação e independência, pois algumas são proibidas de estudar por seus parceiros. Nessa perspectiva, a série “Segunda Chamada” da emissora globo apresenta um pouco do cotidiano e das dificuldades enfrentadas pelos estudantes da modalidade EJA. Dentre as histórias representadas, há uma mulher que é agredida verbalmente pelo marido na frente de todo corpo discente quando ele descobre que ela está frequentando a escola. Desse modo, é evidente que mudanças sociais sejam feitas para enfrentar esse problema.
À luz dessas considerações, é possível ver a importância do aumento da disponibilidade de escolas e do enfrentamento da cultura machista. Nessa lógica, o Ministério da Educação deve realocar recursos para que seja feita uma pesquisa nas cidades sobre o grau de estudo da população maior de 18 anos e ,por meio desses dados, ele poderá atuar pontualmente nos locais que mais necessitam de assistência educacional, tanto para construção de mais escolas como para a melhoria da qualidade das existentes com compra de materiais didáticos e contratação de profissionais. Tal medida terá a finalidade de aumentar e de melhorar a educação e a qualificação de jovens e adultos para o mercado de trabalho e ,dessa forma, elas não temam a obsolescência proposta por Harari.