Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 14/04/2020
No filme “Up-Altas Aventuras” um senhor de idade vivencia um mundo de aventuras e aprendizados ao lado de um jovem escoteiro que o conhece por acaso. Análogo à ficção, a ideia de duas faixas etárias aprenderem juntas é uma realidade do EJA (educação de Jovens e Adultos), que enfrenta desafios. De fato, a falta de capacitação dos profissionais para atender a pluralidade de idade dos alunos e consequentemente a evasão escolar são barreiras que precisam ser quebradas. Por certo, medidas são necessárias.
Primeiramente, é importante ressaltar que o Estado é leviano em garantir uma especialização para os professores dessa modalidade, que precisam lidar com uma pluralidade etária dentro das salas de aula. Sem dúvida, tal cenário é incoerente com o pensamento do Pierre Bourdieu, sociólogo moderno, no seu livro “Sobre o Estado”, no qual o pensador afirma que as repartições estatais devem promover a especialização dos servidores públicos de acordo com a demanda da população. Decerto, a discrepância entre a realidade do EJA e o pensamento do sociólogo é alarmante, dado que se o poder público não qualifica os profissionais para conciliar diversas faixas etárias na mesma sala de aula, a modalidade passa a ser desmotivadora para os alunos, já que não conseguirão aprender de acordo com suas particularidades.
Consequentemente, a evasão escolar passa a ser outro desafio da modalidade de ensino de jovens e adultos, já que, desmotivados, os alunos tendem a abandonar o projeto. Indubitavelmente, tal fato possui uma relação direta com o pensamento do educador Paulo Freire, na sua obra “Educação não é Privilégio”, em que ele afirma que o desanimo dos estudantes é uma das principais causas da evasão escolar. Certamente, tal cenário é preocupante, visto que o modelo EJA é um dos principais meios de reinserção da população na educação, e sua ineficácia pode ser decisiva para a diminuição da escolaridade de toda a nação, uma vez que as propostas de reintegração acadêmica para as pessoas que não tiveram acesso às escolas no tempo certo são falhas. Portanto, é necessário que os desafios, relacionados a educação de jovens e adultos, sejam enfrentados.
De fato, o Ministério de educação deve especializar os professores da modalidade, por meio de parcerias com o governo federal, a fim de capacitar os profissionais para lidar com a diversidade etária na sala de aula e manter os alunos motivados para que não desistam do projeto educacional. Além disso, o projeto consistirá em cursos profissionalizantes gratuitos que podem ser feitos de forma presencial ou on-line. Factualmente, com essas mudanças, a sociedade caminhará para uma realidade parecida com o filme “Up-Altas Aventuras”, no qual diferentes faixas etárias aprendem em conjunto.