Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 22/04/2020

Por volta de 400 a. C., o filósofo grego Platão já defendia a importância da educação para a criação de uma sociedade mais justa. Uma das modalidades implementadas no Brasil para garantir esse direito fundamental à população adulta é o EJA, sigla que significa Educação de Jovens e Adultos. Esse programa é uma intervenção essencial para o bem-estar e o sucesso profissional dos alunos contemplados, mas esbarra em políticas públicas ineficazes em garantir o seu crescimento e manutenção.

Primeiramente, é preciso destacar o papel do EJA no desenvolvimento da autoestima dos estudantes. Segundo o neuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl, o ser humano sente necessidade de buscar sentido para a vida em algo externo a si, e a educação pode ser uma grande ferramenta nesse processo. Assim, o programa age muito além de seu propósito de inserir jovens e adultos no mercado de trabalho e desenvolve a saúde mental destes, de modo a torná-los mais capazes de perseguir  seus objetivos pessoais e de exercer seus direitos e deveres de maneira eficaz e consciente.

Apesar desse caráter formador do programa, as políticas públicas relacionadas ao EJA falham em desenvolvê-lo. De acordo com uma reportagem do Portal G1, a modalidade é a que recebe menor investimento por aluno do FUNDEB, fundo criado para manter e ampliar a educação básica. Dessa forma, há pouco estímulo para os gestores de escolas manterem o programa, que deixou de ser ofertado em quase um terço das instituições na última década. Em contraste com essa realidade, a BBC Brasil aponta que mais da metade dos adultos entre 25 e 64 anos no Brasil não concluíram o ensino médio e, portanto, se enquadram no público alvo do EJA. Logo, é essencial garantir não só a manutenção deste, mas também sua expansão.

Assim sendo, é preciso agir para que o EJA atinja a população a quem é destinado eficazmente. Para tal, o Governo Federal deve destinar recursos ao programa de maneira mais compatível com sua importância, por meio da ampliação do investimento médio por aluno. Ademais, o Ministério da Educação pode estimular a formação cidadã do estudante por via de palestras e debates sobre temas relevantes para a participação social, como direitos e deves constitucionais, a democracia brasileira e orientação profissional. Dessa forma, o EJA poderá desempenhar um papel fundamental na formação de uma convivência mais justa, conforme preconizava Platão.