Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 02/11/2020
O programa Ensino de Jovens e Adultos (EJA) do governo federal é uma boa forma de assegurar o direito inalienável de acesso à educação aos brasileiros que não conseguiram concluir os seus estudos em idade adequada. Em resumo, trata-se de uma nova oportunidade de conquistar autonomia e dignidade por meio do conhecimento. Contudo, há ao menos dois graves problemas que restringem a abrangência e o sucesso desse importante projeto, são eles: as dificuldades relacionadas à pobreza e a diminuição da oferta nacional do programa.
Primeiramente, deve-se levar em pauta algo central: os impactos históricos da pobreza para a educação. Nessa linha, é conveniente retomar ao romance “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, cujo enredo, em verdade, espelha as condições sociais que deram causa a defasagem de ensino que o EJA procura resolver. Afinal, a personagem Fabiano, por não ter frequentado a escola, encontra no trabalho físico o único meio material para sustentar a si mesmo e sua família. Em outras palavras, o Fabiano é um representante de um grupo de indivíduos que não pôde estudar devido à pobreza. Não obstante, tal qual no passado, a miséria continua sendo um empecilho para à educação, pois quem realiza trabalhos braçais ao longo do dia, dificilmente conseguirá reunir forças para enfrentar 4 ou 5 horas de sala de aula à noite. Em suma, o problema da educação é também o da pobreza.
Além disso, há de se discutir a equivocada redução do programa em todo território nacional. Segundo dados do Censo, embora o número de instituições que ofertam a educação básica tenha aumentado em 12% nos últimos dez anos (2009-2019), a quantidade de escolas que oferecem o EJA fundamental, por exemplo, caiu de 37.334 para 24.658 no mesmo período. Ora, essa redução brusca de disponibilidade não é nociva apenas por comprometer a eficiência do EJA como um todo, mas por dificultar a adesão das pessoas ao programa, quer dizer, a mera necessidade de um deslocamento adicional é um fator que, não raro, impulsiona o desinteresse ou inviabiliza o acesso ao projeto.
Logo, para garantir que jovens e adultos possam estudar devidamente, torna-se imprescindível que o Estado mude o seu posicionamento frente à problemática. Assim sendo, o Poder Executivo, por meio dos recursos da União, deve viabilizar a expansão do programa em todas as suas modalidades, seja o ensino fundamental, seja o médio, de modo que todos os brasileiros tenham fácil acesso ao EJA, não importando a localidade em que vivem. Desta forma, o poder público atrairá os interessados e, consequentemente, reduzirá essa lacuna na educação brasileira. Assim, de certo, será possível contornar uma parte considerável do problema e melhorar a educação no país.