Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 10/05/2020
A Constituição “Cidadã”, ao reconhecer a importância da educação para o exercício efetivo da cidadania, a assegura para jovens e adultos que foram excluídos da convencional prática pedagógica. Em divergência disso, é notório que a não reformulaçaõ de uma práxis educacional mais inclusiva e emancipadora, que respeite a heterogenidade de vivências, bem como a perpetuação ideológica do EJA como um modelo compensatório, de reabilitação do “sujeito da falta”, ainda ameaçam o potencial de transformação e de democratização da educação. Logo, é clara a necessidade de políticas sociais visantes à protagonização e à autonomia individual para a superação de desigualdades históricas, que mutilam a cidadania, consagrando uma injusta inferiorização de excluídos da educação formal.
Nesse âmbito, sob a ótica da especialista em educação de jovens e adultos, Maria de Pierro, depreende-se que há um modelo ainda inapropriado na EJA para atender as necessidades educativas das vítimas da expulsão escolar na medida em que a falta de flexibilidade na formulação da práxis pedagógica uniformiza propostas educacionais que, além de homogeneizar experiências, não constrõem a educação como uma prática de liberdade, comprometendo a eficiência dessa modalidade. Sob esse viés, pode-se enfatizar a pedagogia freiriana de educação que, ao valorizar a realidade e o conhecimento do educando para a reciprocidade entre vivência e prática escolar, propõe uma emancipação individual, construída coletivamente. Portanto, é imperativo repensar a lógica hegemônica que rege a estrutura educacional, valorizando a autonomia para o efetivo exercício de cidadania.
Outrossim, a partir da perspectiva da professora da UFG Maria Machado, pode-se afirmar que a perpetuação da lógica que compreende a EJA como um modelo compensatório, que visa a restaurar educandos, vistos como sujeitos da falta, ao invés dos de potencial, contribuiu para a sua negligenciação pelo “Estado de Direito”. Prova disso é que, conforme o Rede Brasil Atual, o orçamento destinando à modalidade reduziu para 2,8%, o que tanto ameaça a cultura do direito à educação para jovens e adultos como consagra desigualdades que inferiorizam as principais vítimas dessa marginalizante política, tornando-os, segundo o escritor Gilberto Dimenstein, “cidadãos de papel”.
Dessa forma, para que a EJA possibilite o exercício de cidadania, garantindo o acesso a uma educação mais inclusiva e emancipadora, é necessário que o Ministério da Educação, destinando-lhe um maior orçamento, proponha uma prática pedagógica que, formulada por professores e representantes da modalidade, por meio de projetos interdisciplinares que privilegiem o debate e a interação socioeducativa, garanta a autonomia e a integração de todos na sociedade. Assim, o êxito da EJA superaria a subcidadania descrita por Dimenstein, protagonizando os diferentes atores sociais.