Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 10/05/2020
Ratificada em 1988, a Constituição Cidadã assegura aos indivíduos o direito à educação, à participação política e ao trabalho. No entanto, é indubitável que isso não é uma realidade plena no Brasil, uma vez que vários cidadãos dependem da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) devido à evasão escolar, a qual persiste, ainda neste método, a partir, não só do desafio de conciliar as diversas jornadas, mas também da baixa contemplação de populações marginalizadas. Perante isso, são necessárias medidas em prol de um ensino libertador e crítico, que adeque os indivíduos às realidades sociais e trabalhistas.
Nesse sentido, é importante destacar que a supervalorização da renda, em detrimento do potencial transformador do ensino, é um fator preponderante para o agravamento da desqualificação trabalhista. Quanto a isso, a série “Adultos Sem Diploma”, veiculada na Globo, analisa a desistência da conclusão do EJA por entraves como a falta de apoio e a sobrecarga de jornadas. Nessa perspectiva, é evidente que o descaso para com a educação é um fator preponderante para a diminuta profissionalização, que suscita o desemprego, além de disparidades socioeconômicas, o que, por conseguinte, dificulta a mobilidade social e provoca um aumento no Índice de Gini — medidor da desigualdade de um país.
Ademais, é importante ressaltar que o ensino em áreas afastadas ainda é vilipendiado e, diversas vezes, não é adequado à realidade da população. Nesse viés, a visita de Paulo Freire a Angicos, no interior do Rio Grande do Norte, representou um marco na educação brasileira, uma vez que o pedagogo desenvolveu uma abordagem contemplativa em prol da liberdade e criticidade. No entanto, a aplicação desse método, na hodiernidade, não é efetiva devido a entraves como a escassez de escolas e da disponibilidade de alfabetização tardia em regiões negligenciadas, o que, consequentemente, favorece a baixa participação cidadão entre estas comunidades.
Destarte, ante a marginalização proveniente da desqualificação profissional e do diminuto acesso à educação, urgem ações com o fito de efetivar a Educação de Jovens e Adultos a partir da integração de trabalhadores e de comunidades a este sistema. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação torne a educação democrática, o que deve ocorrer por intermédio da expansão no número de escolas, principalmente as que contemplem o EJA, além do desenvolvimento de cursos técnicos voltados para áreas emergentes no mercado de trabalho em universidades, visando a expansão de um ensino libertador, crítico e mitigador de mazelas sociais. Assim, assegurar-se-á, de fato, os direitos sociais tais como previstos na Constituição Cidadã.