Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 13/05/2020

Segundo a premissa do Patrono da Educação Brasileira Paulo Freire, “Se com a educação a mudança é difícil, sem ela tampouco haverá mudança.“Nesse sentido, apesar dos avanços proporcionados pela implementação constitucional e pela consolidação do sistema democrático, uma ampla parcela do segmento populacional ainda permanece às margens da sociedade, sobretudo, no que se refere ao acesso educacional. Assim, a modalidade de Ensino para Jovens e Adultos (EJA) é bastante dificultada, tendo em vista a carência de incentivos governamentais e a deficiência qualitativa do ensino,fazendo-se necessária a intervenção  do poder público.

Nesse contexto, é essencial evidenciar que, segundo dados do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), essa é a modalidade com menor financiamento público, com uma contribuição menor que 1%, realidade que dificulta, sobremaneira, a disposição das instituições em ofertar turmas direcionadas a esse segmento. Prova disso é a queda brusca no índice de escolas que possuem turmas voltadas para esse público, em torno de 37% entre 2009 e 2019, fazendo com que muitos indivíduos tenham dificuldades de encontras vagas e horários disponíveis e, até mesmo, uma distância condizente com seus núcleos habitacionais. Dessa maneira, esse contingente populacional que, muitas vezes, já é resultante de um histórico desfavorável, no qual não houve uma assistência educacional, torna-se ainda mais vulnerável por não alcançar os subsídios necessários para superar consternações, como o analfabetismo e o desemprego.

Em consonância a isso, é imprescindível salientar que a série “Adultos sem diploma” , disponibilizada pelo G1 (Portal de Notícias da Globo), revela que, no Brasil, ainda existem 40 milhões de pessoas que não conseguiram concluir o ensino básico, situação que denota a forte carência da educação e que permite, também, fazer avaliações acerca do alto índice de desemprego e de baixa qualificação profissional. Sob esse viés, a qualidade de ensino oferecida a esse corpo social torna-se ainda mais necessária, já que muitos não tiveram acesso ao mínimo de conhecimento e a implementação da educação qualitativa irá refletir diretamente no desempenho de futuros profissionais.

À luz dessas considerações, percebe-se a imprescindibilidade de mitigar os desafios que cerceiam essa modalidade de ensino, tendo em vista a sua relevância para o futuro do País. Para isso, cabe ao Ministério Público, em sinergia com o Ministério da Educação, promover políticas efetivas, por intermédio da ampliação dos recursos direcionados ás instituições, ofertando melhores salários e proporcionando cursos de capacitação, bem como deve haver o acompanhamento do desenvolvimento do aluno, por meio de monitorias, com o fito de de atender as deficiências e atenuar a desigualdade.