Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 13/05/2020
O filme de comédia “Operação Supletivo” narra, de forma bem-humorada, a volta de um jovem adulto ao ambiente escolar. Na história, o protagonista tenta terminar o Ensino Médio para conseguir um emprego melhor e acaba se envolvendo em várias confusões. Já na realidade, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) enfrenta uma série de desafios, como o conflito entre rotina de trabalho e tempo hábil para estudo, e a falta de concentração que pode atingir os alunos mais velhos.
Nesse contexto, segundo matéria publicada no jornal “Folha de São Paulo” em 2017, o brasileiro trabalha, em média, 1.737 horas por ano, mais do que japoneses e canadenses. Ao incluir o tempo gasto com deslocamentos, que podem chegar a horas, tem-se uma rotina, no mínimo, exaustiva, o que compromete a dedicação aos estudos e seus compromissos. Dessa forma, quanto maior a carga horária de trabalho, menor a possibilidade de um cidadão conseguir concluir sua formação.
Ademais, de acordo com o sociólogo George Simmel, recebemos diversos estímulos sonoros, visuais e auditivos todos os dias, resultando em uma intensificação da atividade nervosa do indivíduo. Biologicamente, esse efeito por vezes gera sensações de ansiedade e enxaquecas, o que dificulta a concentração no momento presente, além de questões pessoais do próprio aluno. Dessa maneira, o ensino destinado aos jovens e adultos enfrenta as consequências da rotina destes, que lidam com responsabilidades e problemas que nem sempre podem se desvincular do ambiente educacional. Portanto, tem-se que a Educação de Jovens e Adultos tem como desafios a carga horária de trabalho do público alvo e as consequências de uma rotina adulta. Desse modo, cabe à Iniciativa Privada, na figura de seus empregadores, fazer um acordo com o funcionário que anseia voltar aos estudos, para que as horas reduzidas sejam compensadas ao término do curso do empregado. Além disso, cabe ao Poder Público a ampla contratação de profissionais essenciais ao programa, como psicólogos e assistentes sociais, por meio de concursos, afim de assegurar um ambiente acolhedor e uma formação digna para aqueles que, como no filme “Operação Supletivo”, queiram ter seu principal direito assegurado: a educação.