Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 19/05/2020

O filme estadunidense ‘‘Mãos Talentosas’’ narra a história real do Dr. Benjamin Carson e algumas cenas retratam a mãe de Ben aprendendo a ler, depois de anos, para ajudar seus filhos a vencer as dificuldades. De forma análoga à história fictícia, muito indivíduos, no Brasil, enfrentam os bancos escolares fora da faixa etária adequada, em busca de persistir e concluir os estudos. No entanto, esse anseio é acompanhado de muitos desafios, dentre eles o descompromisso do Estado e de parte das instituições de ensino em garantir uma educação de qualidade aos jovens e adultos que necessitam.

Segundo o Artigo 37, da Lei de Diretrizes e Bases, a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ao ensino fundamental e médio na idade apropriada, por meio do chamado EJA. No entanto, contemporaneamente, cumprir tal medida é um grande desafio, visto o ínfimo direcionamento de verbas por parte do Estado em escolas que garantam essa máxima.Com isso, muitos desses alunos conseguem o certificado de escolaridade, mas não se aperfeiçoaram e não desenvolveram habilidades e competências exigíveis no mercado de trabalho e nas relações interpessoais, características oriundas de uma formação escolar eficaz.

Ademais, segundo o escritor Paulo Freire, ’’ Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou construção.’’ Essa referida construção se dá mediante a interação entre o aluno e o educador, por meio da troca de experiências entre esses indivíduos e um plano pedagógico bem elaborado. Observa-se, entretanto, que a forma como as redes de ensino estruturam o sistema escolar difere dessa lógica, visto que apresenta um ensino engessado, o qual se distancia do público jovem e adulto. Esses indivíduos, provavelmente, já ingressaram no mercado de trabalho e enfrentam uma série de dificuldades pessoais, destacando que ir para a escola também é um desafio. Desafio este, potencializado na falta de didática e de condições apropriadas para que eles possam ter acesso ao ensino, desencadeando, muitas vezes, a evasão escolar desses alunos.

Portanto, cabe ao Estado direcionar verbas suficientes para as instituições do chamado EJA, por meio do Ministério da Educação, com a contratação de professores suficientes e bolsas de ensino para que eles se especializem e criação de novas escolas que atendam esse público, em prol de garantir o acesso ao ensino de qualidade a esses indivíduos. Além disso, cabe às redes de ensino elaborar uma proposta pedagógica adequada, com aulas em todos os turnos, a fim de atender a maioria dos jovens e adultos, além de propor aulas lúdicas, que possam desmistificar o ensino engessado e promover um menor índice de evasão escolar. Procedendo-se, dessa forma, muitos brasileiros conseguirão superar os desafios e alcançarão suas metas por meio do ensino, como Benjamin e sua mãe.