Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 21/05/2020

Na obra " A República", Platão demonstra uma alegoria sobre homens presos em uma caverna, os quais enxergavam apenas as sombras dos elementos externos, ou seja, não possuíam uma análise objetiva dos fatos reais. Nessa lógica, é essencial compreender os desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos, com a finalidade de a sociedade atual não ecoar o mito da caverna de Platão no tecido social, sobre o assunto em questão. Essa situação, por sua vez, denota que a educação não possui validade factual, além de evidenciar a não consonância dos dispositivos constitucionais frente à realidade exposta.

A priori, o Brasil sofreu um processo de colonização pautado pela exploração de seus recursos naturais, de modo que mazelas sociais sociais foram criadas e, com o passar dos tempos, aprofundadas. Ao passo que, na contemporaneidade, o Brasil possui problemas, oriundos desse processo histórico, relacionados ao sistema educacional, tanto que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) relatou que 28,2% da população brasileira, em 2018, não possuía acesso à educação. À vista disso, pode-se afirmar que o EJA está inserido, notadamente, em um contexto em que a educação não possui validade factual.

Outrossim, a Constituição Cidadã estabelece que todos possuem direito à educação. No entanto, ao analisar-se a realidade de jovens e adultos sobre o prisma educacional, ecoa-se o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. Nessa perspectiva, nota-se os problemas que o sistema educacional, nesse caso o EJA, possuem, os quais se materializam, principalmente, pela corrupção, como consta os dados da AGU (Advogacia Geral da União), que evidenciam que 70% dos casos de desvios de dinheiro público ocorrem em áreas relacionadas à educação. Dessa maneira, percebe-se a não consonância entre dispositivos constitucionais e a realidade.

Logo, é imprescindível que o Ministério da Educação desenvolva palestras destinadas ao Poder executivo, sobre os desafios da modalidade EJA. Para tanto, é fundamental convidar cientistas sociais, com o intuito de esclarecer, por meio de dados históricos e estatísticos, que essa questão está concernente com o processo de corrupção, por exemplo. Assim, essa esfera do poder, munida desse conhecimento, realize uma força tarefa destinada à fiscalização das verbas públicas, a fim de que os desvios sejam atenuados e, por fim, mais jovens e adultos tenham acesso à educação. Feito isso, mitigar-se-á os desafios referentes à essa questão.