Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 23/05/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos e dever do Estado. No entanto mesmo após avanços governamentais como a criação do EJA - educação de Jovens e adultos, com o intuito de diminuir os casos de analfabetismo dos indivíduos que por algum motivo não puderam frequentar uma instituição escolar - há um déficit governamental capaz de prejudicar o programa. Logo, urgem medidas para resolver os obstáculos, causado pelo desinteresse dos alunos devido ao “conteúdo bancário” do sistema de educação brasileiro e pelo descaso governamental.

Nesse contexto, vale ressaltar o conceito de “conteúdo bancário” proposto pelo educador Paulo Freire, segundo o autor, o sistema de educação brasileiro existente é marcado pelo ensino do professor que “deposita” todo o conhecimento no aluno de maneira vertical, o que faz com que os indivíduos percam o interesse em aprender as matérias. Dessa maneira, Paulo defende que a educação deve ser libertadora, pelo compartilhamento de informações, onde o professor possa ser o mediador do aluno sem retirar a sua autonomia. Assim, o público do EJA por ser tratar de pessoas adultas e idosas frequentemente não conseguem acompanhar as matérias, o que causa desinteresse dos mesmos em continuar no programa.

Ademais, a falta do apoio governamental em relação ao programa ainda é uma realidade no contexto brasileiro. Dessa forma, apesar dos números de pessoas que desejam retornar aos estudos serem significativos, são poucas as instituições escolares que adotam o EJA como modalidade de ensino. Nesse sentido, apesar da constituição garantir a educação a todos sem distinção de qualquer idade, esse direito encontra-se deturpado na medida em que não é oferecido de forma ampla. Em uma reportagem feita pelo Jornal globo no ano de 2019, mostram que menos de 50% das escolas possuem o EJA como alternativa de ensino.

Portanto, com o intuito de diminuir essa realidade contexto brasileiro, é necessário que o Governo - de acordo com a Constituição Federal de 1988, responsável em garantir direitos a todos os cidadãos incluindo os estudantes - em parceria com o Ministério da Educação, invistam por meio de verbas em projetos educacionais  na contratação de profissionais capacitados, principalmente aqueles que apoiam o pensamento freireano com o intuito de desconstruir o ensino conteudista atualmente adotado e implementar a educação libertadora com flexibilização das aulas, interatividade e assim inserir os indivíduos na sociedade. Adicionalmente deve-se ampliar também a questão do acesso do EJA nas escolas, para que os alunos desfrutem desse direito da educação, pois de acordo com Paulo Freire " Não se pode falar de educação sem amor"