Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 24/05/2020

O longa-metragem “Preciosa” retrata uma jovem que sofreu a vida inteira com abusos físicos e psicológicos, mas passa a mudar de vida com o apoio de uma professora que decide alfabetizá-la e ajudá-la a recuperar sua dignidade. Como na ficção, muitos jovens e adultos no Brasil têm suas vidas transformadas graças à modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), criada pelo governo para que pessoas que não tiveram uma boa educação possam retomar os estudos e ter melhores oportunidades. Apesar de sua importância, esse ensino ainda enfrenta desafios para sua funcionalidade, devido à displicência governamental e uma mentalidade social que o desvaloriza.

Com efeito, o acesso à essa modalidade não é pleno, devido não só à pouca disponibilidade de escolas na rede pública que a ofereçam, mas também à falta de uma metodologia adequada. A título de ilustração, uma pesquisa do G1 mostrou que, na última década, a quantidade de escolas que possuem o EJA diminuiu 34%, o que demonstra a displicência do governo, que apesar de ter criado esse sistema, não o aplica de forma democratizada. Além disso, a educação de pessoas mais adultas exige abordagens e metodologias diferentes, pois além de essas pessoas, em sua maioria, precisarem trabalhar e não poderem se dedicar integralmente, precisando de uma maior flexibilidade, o processo de aprendizagem é diferente de crianças, exigindo profissionais qualificados para essas adaptações, o que não é uma realidade na rede pública.

Outrossim, a mentalidade do povo brasileiro não valoriza substancialmente a educação, por isso, muitas pessoas, depois de mais velhas, não são encorajadas a buscarem retomar os estudos. Como disse o educador Paulo Freire, “a educação muda as pessoas, e as pessoas transformam o mundo”; assim, o EJA se mostra uma grande oportunidade para que muitos adultos recuperem sua dignidade e se tornem profissionais qualificados, porém, essa cultura que não entende os impactos da educação, por um processo histórico de falta de acesso a ela, revelado no sistema público de educação falho, faz essas pessoas acreditarem que o crescimento intelectual é uma realidade muito distante.

Portanto, são necessárias medidas para combater essa problemática. A fim de combater os desafios no acesso ao EJA, o Ministério da Educação deve expandir sua oferta, por meio da exigência da adoção dessa modalidade em mais escolas, que disponibilizem horário e ferramentas flexíveis, e da contratação de profissionais qualificados, que sejam preparados com diferentes metodologias para auxiliar pessoas mais velhas e com necessidades diferentes. Ademais, deve promover campanhas governamentais que popularizem métodos de retomada de educação como esse. Assim, a Educação de Jovens e Adultos pode ser acessada de forma cada vez mais ampla.