Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 03/06/2020

Outorgada em 1988, a Constituição Federal Brasileira garante a todos o pleno acesso à educação de qualidade. Conquanto, essa não é a realidade de inúmeros jovens e adultos os quais buscam o reingresso no sistema educacional. Nesse sentido, é premente analisar os principais impasses da efetivação dessa norma, como a ausência de propostas as quais se adéquam a rotina e de ações do governo, respectivamente.

Em primeira análise, é lícito postular a falta de propostas educacionais flexíveis. De acordo com a especialista em EJA SESI Nacional, Edilene Aguiar, 60% do abandono dos discentes são devido à dificuldade em conciliar o trabalho com os estudos. Nesse sentido, a flexibilização a qual permita a conciliação entre obrigações laborais, familiares e educacionais são fundamentais para esses indivíduos. Como evidencia do supracitado, a filosofa Hannah Arendt afirma o papel da escola como instituição que se interpõe entre o mundo e o domínio do lar. Isto é, a efetividade educacional está em reconhecer e conciliar o cotidiano dos alunos.

Outrossim, o precário planejamento governamental prejudica a prosperidade desse programa. Como exemplo desse descaso do Estado, em 2015 foi aprovada a Lei orgânica no município do Rio de Janeiro a qual declara a necessário da instalação de pelo menos uma escola exclusiva para Educação de jovens e Adultos por Coordenadoria Regional de Educação, conquanto apenas 2 escolas foram construídas, em contrapartida, existem 11 CRE’S. Nesse sentido, fica evidente a teoria criada por Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de papel”, o qual afirma que os direitos são garantidos apenas no papel, como na Constituição, entretanto, esses não são aplicados no cotidiano.

Portanto, faz-se necessário a adoção de medidas aptas a superar os desafios os quais impedem o pleno fornecimento do ensino. Logo, urge que o Ministério da Educação, por meio da maior parcela de tributos, desenvolva grades curriculares as quais possibilitem a versatilidade do aluno, com o objetivo de aumentar o número de matriculados, assim como, mantê-los em atividade até a conclusão. Ainda, é necessário a fiscalização do cumprimento das leis já outorgadas pelo Poder Executivo, para que dessa forma tal autoridade cumpra sua função acordada e permita aos necessitados o acesso ao ambiente educacional. Dessa forma, será possível uma Nação a qual forneça a seus habitantes o que lhes fora anuído.