Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 29/05/2020
A modalidade de Educação de Jovens e Adultos visa alcançar o público que, infelizmente, não pode concluir o ensino de modo regular. Dessa forma, o Governo Federal fornece esse meio como uma maneira de gerar uma inclusão social. No entanto, os desafios enfrentados são inúmeros, como por exemplo fornecer uma estrutura de qualidade e uma real democratização para os indivíduos.
Em primeira análise, vale salientar que o ensino público, mesmo que regular, é de fato precário, posto que não possui os recursos fundamentais, como professores capacitados para todas as matérias, materiais para ministrar aulas e material didático, que atenda a demanda total. Logo, obviamente, não seria diferente com o EJA, levando em consideração que se espera mais quantidade do que qualidade, além de que os frequentadores já estão inseridos no mercado de trabalho e serviram, principalmente, como mão de obra. Segundo o Ministério do Trabalho, 6 a cada 10 funcionários formou pelo meio não tradicional, e dentre esse grupo 4 são quase analfabetos. Sendo assim, é notório que a conclusão escolar desse jeito prioriza fornecer pessoas com diploma para o mercado trabalhista e não uma real formação para deter conhecimento. Em suma do exposto, é perceptível que os frutos da colonização portuguesa são colhidos diariamente, tendo em vista que o trabalho está acima do aprendizado.
Em segunda análise, convém ressaltar que a igualdade está bem distante de ser uma realidade , pois se é mediante a educação que é possível mudar esse cenário e ele encontra - se em uma condição extremamente distinsta de uma instituição privada, a eletização ganha ainda mais forças. De acordo com o Ministério da Educação, 63% dos inscritos no EJA não frequenta regularmente as aulas, e na maioria dos casos e por causa das obrigações do trabalho. Nesse contexto, o livro A elite do atraso, do renomado sociólogo Jessé de Souza disserta que a igualdade não é todos terem as mesmas coisas, mas sim as mesmas oportunidades, e no Brasil essa realidade é algo utópico. Em síntese, é visível que a democracia está longe de ser exercida em seu pleno direito.
Em vista do que foi supracitado, é necessário que o Ministério da Educação e do Trabalho busque maneiras de colaborar para o exercício pleno dos direitos básicos previsto na Constituição. Isso pode ser feito, por meio de um acordo que estimule a população a buscar a educação como uma opção para melhorar de vida, ter uma ascensão social e quebrar o ciclo dos privilégios para a minoria. Para assim alcançar a igualdade proposta por Jessé.