Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 15/07/2020

‘‘O homem não é nada mais do que aquilo que a educação faz dele", máxima essa elaborada pelo filósofo Immanuel Kant, expressa a importância que a educação tem na formação de uma pessoa. Todavia, muitos brasileiros ainda possuem essa base educacional incompleta ou inexistente, em decorrência, primordialmente, de uma cultura que desvaloriza o ensino e de uma inabilidade governamental em oferecer “EJA”- Educação de Jovens e Adultos.

A priori, a existência de uma influência cultural que menospreza à educação se faz como um precursor ao percalço. Nessa perspectiva, a tese do “Fato Social”, elabora pelo sociólogo Émile Durkheim, justifica a conjuntura, a medida em que esta estipula que a cultura seria exterior ao indivíduo e é coercitiva sobre ele, tal como se verifica no Brasil, no qual muitos não vão à escola por terem sido ensinados que a educação não trás benefícios e foram instruídos a trabalhar cedo e, por conseguinte, não procurando modalidades como “EJA” no futuro. Com isso, muitas pessoas não detêm de escolarização completa, como se verifica em dados do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-, os quais evidenciam que quase 10% do brasileiros são analfabetos, fato que repercute na empregabilidade desses, os quais terão maior dificuldade de se inserir no mercado de trabalho por não terem concluído nem mesmo o ensino fundamental.

Ademais, a pouca oferta da modalidade de ensino de jovens e adultos por parte do Governo é outro fator determinante ao problema no Brasil. Sobre esse viés, uma vez que os centros educacionais com capacidade de ter “EJA” são escassos, diversas pessoas ficam impossibilitadas de utilizar tal modalidade por não conseguirem adequar sua rotina com o deslocamento até a instituição de ensino, que, via de regra, é distante de sua localidade. Dessa forma, apesar de estar previsto no artigo 6° Constituição Federal de 1988, que é a educação é um direito social, na prática esse direito é violado e muitos deixam de exercer sua cidadania por completo, tal como analisado no livro “Cidadãos de Papel”, escrito pelo jornalista Gilberto Dimenstiem, no qual ele afirma que a normas brasileiras não são realmente aplicadas, se estabelecendo apenas no âmbito documental.

Sendo assim, percebe-se como a cultura de uma sociedade e uma incapacidade governamental fomentam desafios à educação de jovens e adultos no Brasil. Dessa maneira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio da capacitação de mais instituições de ensino através do aumento da carga horária docente, direcionando verbas a esse fim, disponibilize um maior número de centros que ofertam “EJA”, com fins a melhor abranger o público que tem interesse em terminar sua escolarização, contribuindo com a perspectiva kantiana de que a educação deve “fazer parte do indivíduo”.