Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 13/08/2020
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que o índice de pessoas que não concluíram o ensino básico é alarmante. Sob esse aspecto, faz-se fulcral entender como a desigualdade social e a ineficiência dos profissionais ao lidar com adultos de baixa escolaridade cooperam para a persistência dessa conjuntura. Dessa forma, medidas cujo objetivo sejam aprimorar a Educação de Jovens e Adultos devem ser tomadas.
É preciso considerar, antes de tudo, as desigualdades que envolvem as questões de gênero, raça, classe e identidade como elementos propulsores da problemática. Nesse contexto, o filósofo Rousseau afirma que a partir do nascimento um indivíduo deve adquirir educação. Porém, diversos são os casos em que uma pessoa é obrigada a deixar a educação de lado. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, sete em cada dez brasileiros sem Ensino Fundamental completo têm renda familiar de até um salário mínimo e as pessoas brancas têm mais chances de chegar ao nível superior em relação às pretas e pardas. Ademais, mulheres são mais propensas a abandonar os estudos para desempenhar afazeres domésticos ou cuidar de pessoas do que homens e a evasão escolar de indivíduos trans chega a 80%. Portanto, para combater a falta de perspectiva em relação a aprendizagem, o EJA foi criado, mas faz-se necessário maior engajamento social e estatal.
Além disso, é válido apontar que a oferta pública de EJA quase sempre conta com licenciaturas que não estão preparadas em atuar com adultos. A esse respeito, o “Método Paulo Freire” propõe que ao educador cabe mostrar ao educando que ele traz consigo uma gama conhecimentos oriundos de suas experiências e auxiliar na organização desses conhecimentos, relacionando os saberes trazidos pelo educando com os saberes escolares. Portanto, os professores não devem se deter na mera alfabetização tradicional, mas desenvolver atividades baseadas no debate de temáticas sócio-políticas, inerentes ao contexto vivenciado pelos alunos.
Perante o exposto, é necessário medidas intervencionistas governamentais. Urge que o Ministério da Educação torne obrigatório uma maior preparação dos professores, através de cursos especializantes e gratuitos, para que eles saibam lidar com alunos adultos, de forma que adequem suas aulas e tenham capacidade de dar o apoio necessário para que não haja desistência do curso. Além do mais, deve ser ofertada palestras aos sábados à tarde, com o intuito de motivar os alunos e demonstrar a importância de concluir o ensino básico e superior, para que, assim, aumente a garantia de que o conceito de que a educação é primordial para o desenvolvimento humano seja repassado para os familiares.