Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 11/08/2020

Segundo Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul e importante líder na luta contra o Apartheid no país, a educação é a maior arma para mudar o mundo. Diante disso, percebe-se o caráter fundamental da modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos) no Brasil, a qual torna possível o acesso de indivíduos com certa idade à educação. Porém, tal método de ensino enfrenta diversos desafios a serem superados, tais quais o pouco repasse de verbas para o setor, além do abandono dos alunos pela necessidade de trabalho. Assim, mudanças são urgentes a fim de contornar essa nociva realidade brasileira.

Em primeira análise, nota-se o baixo investimento na modalidade como um dos impasses desta. Tal fato é perceptível no afirmado por estudiosos do financiamento da Educação, segundo os quais o fator de ponderação do EJA no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) é muito baixo - cerca de 80% do valor base atribuído às séries iniciais do Ensino Fundamental regular urbano. Devido a isso, ocorre desmotivação dos gestores públicos em investir nesse setor educacional, o que causa a triste realidade da defasagem de tal modelo de ensino.

Outrossim, o “êxodo” escolar constitui um grande empecilho para a Educação de Jovens e Adultos. Este nocivo problema é notado segundo dados divulgados na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) realizada em 2017, em que 41% dos indivíduos os quais abandonaram os estudos o fizeram por motivos de trabalho. Desta maneira, observa-se que a dificuldade de conciliar o emprego e os estudos contribui para as dificuldades enfrentadas por este setor da educação, em que uma rotina exaustiva de trabalho diários dificulta o aprendizado noturno, contribuindo para a escolha unidirecional por aquele.

Portanto, com a finalidade de contornar os impasses enfrentados pelo EJA no país, o Governo Federal deve aumentar o investimento nessa modalidade, por meio do maior repasse de verbas pelo Fundeb, com o fito de motivar os gestores públicos - estaduais e municipais - a investir naquela. Ademais, o Estado, em parceria com a mídia, deve criar campanhas de incentivo ao estudo para jovens e adultos, por meio de propagandas durante os intervalos comerciais dos programas televisivos, com mensagens motivacionais e que mostrem a importância da educação para um futuro melhor, a fim de diminuir tal “êxodo” escolar. Espera-se, com isso, consolidar este modelo de ensino no país, bem como contornar a realidade atual pelo caminho apontado pelo ex-presidente da nação sul-africana.