Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 16/08/2020

No universo distópico de Ray Bradbury — “Fahrenheit 451” —, o governo tirânico teme o esclarecimento da população, uma vez que ocasionaria imbróglios imprevisíveis. Nesse viés, de maneira análoga à história fictícia, a educação de jovens e adultos (EJA), enfrenta nítidos problemas no Brasil. Com isso, explicita-se a problemática no ensino da modalidade EJA, que vigora inerente à realidade brasileira, quer por descaso dos órgãos responsáveis, quer pelo desinteresse da sociedade nessa questão.

Em primeiro plano, evidencia-se os baixos índices de alunos matriculados na modalidade, não obstante o alto número de pessoas sem diploma. Nesse contexto, de acordo com o Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, a educação  é garantida como direito social. Conquanto, ao analisar a pouca demanda pelo ensino, é inexorável o efeito contraproducente da premissa constitucional.

Outrossim, o desincentivo da sociedade no ensino de jovens e adultos é um ponto pertinente no debate, uma vez que —  segundo as teorias lamarckianas — o meio determina o ser. Essa conjuntura opõe-se às personagens do ideário de Aristóteles, uma vez que configura-se como empecilho para a natureza humana sedenta por conhecimento. Nesse sentido, a indiferença do meio no processo de formação da personagem aristotélica está contida na problemática da EJA.

Depreende-se, portanto, que a educação de jovens e adultos, contrariando direitos e iniciativas, segue inerente à realidade educacional e social brasileira. Dessa forma, é imprescindível um ato do Governo Federal, através do Ministério da Educação, que deve, por meio de políticas de incentivo, avaliar as particularidades comuns à categoria em questão, para, assim, reformar a modalidade EJA, objetivando maior entusiasmo e possibilidades reais de participação dos grupos sociais beneficiados.