Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 14/09/2020
Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto do que o autor prega, visto que o Brasil ainda apresenta um número alarmante de indivíduos analfabetos. Portanto, analisar seriamente as raízes e frutos dos problemas que afligem a educação de jovens e adultos no país é medida que se faz imediata.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a falta de escolaridade de brasileiros deriva da baixa atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, contudo isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, mais de dez milhões de brasileiros não são alfabetizados, expondo estes indivíduos à piores condições de trabalho e de vida. Dessa maneira, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo pontuar a falta de programas de incentivo como promotora do problema. De acordo com a pedagoga Laura Suvalsky, o maior obstáculo relacionado à Educação para Jovens e Adultos (EJA) é a permanência dos alunos nas escolas. Seja por barreiras sociais ou econômicas, o índice de estudantes que deixaram de frequentar o Colégio Imaculada foi de 15,5%, número este que cresce ao fazermos uma análise em escala nacional. Partindo deste pressuposto, a função social atribuída à esta modalidade de ensino não se concretiza por completo, uma vez que há uma grande dificuldade tanto na entrada quanto na permanência de alunos. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que baixa aderência à EJA contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar os problemas que acometem o ensino de jovens e adultos, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na criação de políticas e programas de incentivo, visando garantir a entrada e permanência de indivíduos analfabetos nas escolas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dos problemas relacionados à baixa escolaridade na sociedade brasileira, e a coletividade estará mais próxima da Utopia de More.