Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 02/10/2020
Na série “3%”, produção brasileira da netflix, é evidenciado um gargalo social representado por uma seleção que, discriminatoriamente, concede aos aprovados uma qualidade de vida melhor enquanto marginaliza os não selecionados. Hodierno e em contexto real, esse efeito social é análogo ao cenário da negativa à educação, em que os “educados” possuem melhores espectros socioeconômicos em detrimento da marginalização dos analfabetos. Nessa lógica, programas como a Educação de Jovens e
Adultos (EJA), sofrem desafios: a quebra de tabus culturais e a falta de iniciativas contra evasão
Previamente, preconceitos socialmente construídos marcam as dificuldades de iniciativas para frequentar a EJA. Esses julgamentos equivocados são visíveis através do ideal de, erroneamente, ha-
ver uma idade definida para conclusão do ensino fundamental ou médio. Não obstante, o acesso educacional é um direito constitucionalmente defendido, não havendo especificações de “tempo certo”. Em consonância a obra “Raízes do Sertão”, de Sérgio Buarque de Olanda, a miscigenação nacional tornou possível a fusão de diversas culturas. Para Buarque, esse processo diversificado baseia uma maior proporcionalidade de estigmas direcionados à minorias, principalmente aos analfabetos.
Em segundo plano, os limitados investimentos em auxílios financeiros enquanto jovens e adultos estudam, as precárias estruturas ou inexistência delas e métodos instrutivos incoerentes fomentam os desafios e, além disso, acrescem às evasões. Isso se caracteriza pelo fato de não haver incentivos que
contraponham as dificuldades que essa parcela possui, consequentemente, negando o resgate à cidadania de jovens e adultos do país. Para a escritora nigeriana Chimamanda, em uma palestra no TEDx, ela afirma ser necessário o conhecimento de todas vertentes da problemática para saná-la. Dessarte, é primordial que o governo reconheça tais desafios, implementando verbas, esforços e prioridades na garantia de uma modalidade EJA mais eficaz e equitativa.
Logo, é impreterível a superação dos encalços quanto ao ensino de analfabetos fora da modalidade regular. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pela educação e infraestrutura, devem fazer um projeto que some tanto a profissionalização dos docentes, quanto a construção de estruturas específi-
cas. Àquela ação poderá ser feita por meio de cursos on-line, instruindo métodos inclusivos de ensino, priorizando a carga cultural dos alunos para fomentar o aprendizado. Já essa, poderá ser feita através da construção de instituições específicas em regiões com grandes índices de analfabetos, ou na criação de salas exclusivas em escolas municipais e estaduais. Tais feitos, somado a um intenso uso das mídias para valorizar a EJA e quebrar tabus, atingirá o fito de superar essas mazelas indo em contrassenso à série “3%”.