Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 14/10/2020

Assim como estabelecido pelo artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é direito de todos os cidadãos brasileiros e é uma obrigação do Estado. Porém, a histórica falta de comprometimento com a educação de jovens e adultos (EJA) deixa viável a existência de desafios para essa modalidade de ensino. Sendo assim, se torna necessária uma análise sobre quais atitudes podem ser tomadas para contornar esse problema, além de expor quais são as consequências causadas.

De início, é necessário ressaltar que a escassez de recursos humanos e financeiros nessa área de ensino é uma das maiores causadoras para os problemas da EJA. Em paralelo, assim como afirmado por Anísio Teixeira, educador brasileiro, a educação promove a mudança de atitudes e de realidades sociais. Nesse ponto de vista, a falta de professores que possuem especialização na área de educação para adultos contribui para o reduzido número de escolas que oferecem esse serviço para a população. Isso é comprovado por uma pesquisa feita pelo Censo Escolar de 2019, a qual aponta que apenas 3,4% das instituições de ensino brasileiras oferecem esse serviço.

Por conseguinte, esse problema ainda é potencializado pelo baixo investimento financeiro do Governo Público nessa parte da educação, isso é exposto por uma pesquisa feita pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica, Fundeb, que aponta que os investimentos feitos na área do EJA , que já era o menor do ensino básico, foi reduzido em 78% no ano de 2019. Esse fator apenas demonstra o descaso governamental com tal modalidade de ensino, fazendo com que esse método não consiga se firmar em nosso país, ferindo direitos os direitos constitucionais referentes à educação.

Conclui-se, portanto, que a educação de jovens e adultos tem sofrido com o baixo interesse governamental e com os baixos investimentos financeiros. Sendo assim, cabe ao Governo um olhar mais zeloso para essa área de ensino, garantindo maiores investimentos no setor, sendo esses com as PPPs, parcerias público privadas, ou com o próprio dinheiro público, dando a oportunidade de uma educação decente para pessoas que não tiveram essa oportunidade nos primeiros anos de vida, inserindo-os novamente na sociedade. Além disso, cabe também à mídia a exposição do sucateamento desse serviço, fazendo com que a população tenha noção do que está acontecendo nas instituições do EJA, trazendo engajamento para a luta da melhoria desse sistema. Só assim, o Brasil poderia realmente cumprir de forma correta os direitos garantidos pela constituição, garantindo um futuro mais saudável para nossa nação.