Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 03/11/2020

À medida que a onda de escolarização segue aumentando, com uma taxa de cumprimento do Ensino Fundamental (6 a 14 anos de idade) de 99,3%, são de certa forma deixados para trás aqueles velhos demais para participar da educação tradicional. Foi com o intuito de retificar tal omissão que foi instituída a modalidade EJA, ou Educação de Jovens e Adultos: ao possibilitar uma entrada tardia ao mundo escolar, tal programa busca reafirmar e ampliar os direitos dos cidadãos nele inscritos. Essa empreitada atualmente enfrenta diversos desafios no Brasil, tanto devido à infraestrutura presente de suporte quanto aos estigmas sociais impostos sobre tais estudantes tardios.

Embora o ensino básico tenha sido desenvolvido bastante nos últimos anos, com um aumento de 12% no número de escolas, o EJA tem recuado em proporção no mesmo período, perdendo 34% de suas modalidades presenciais passadas. Não por falta de necessidade, o sistema está descontinuando os projetos EJA, sem considerar que quase um quinto da população brasileira não tem diploma escolar. Esse sistema também apresenta dificuldades em manter os seus alunos assíduos: muitos deles, pobres ou ocupados com seus trabalhos, se tornam desmotivados a continuar sua educação, que geralmente dura cerca de 2 anos.

Ademais, a falta de motivação dos alunos EJA também pode ser atribuída aos preconceitos relacionados à falta de uma educação formal no mundo moderno. Pessoas trabalhando em posições de base, como lixeiros, domésticas, entre outros, com pouca qualificação necessária e mísera remuneração são repudiadas frequentemente ao tentar romper com suas posições na “hierarquia social”, seja por patrões, familiares ou colegas. Em adição a tais condições, os próprios meios de organização hodiernos servem como uma barreira para aplicantes ao EJA que sejam analfabetos, por exemplo, ou tenham algum tipo de incapacidade mental.

A fim de mitigar os empecilhos discutidos, e encorajar o ingresso ao EJA, é imperativo o implemento, por parte do Ministério da Educação e instituições de ensino público, de sistemas de atração e retenção à estudantes tardios. Incluindo, a título de exemplo, recompensas monetárias e benefícios sociais como vales-alimentação, as medidas aqui propostas buscam promover o direito à educação de todo cidadão brasileiro, ao mesmo tempo que desenvolvem a nação, e sua potencialidades, como um todo.