Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 02/11/2020
O filme “Preciosa” retrata as experiências de Claireece que foi privada de frequentar a escola durante a infância e que vê sua vida transformada quando recebe a oportunidade de estudar. Fora da ficção, no Brasil, a modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos) é destinada às pessoas que não concluíram o ensino fundamental ou médio na idade convencional e melhora a vivência desses cidadãos. Contudo, o exíguo estímulo para que os indivíduos ingressem nesses centros de ensino e a dificuldade de mantê-los frequentes durante todo o curso são desafios que precisam ser superados. Convém ressaltar, a princípio, que o Censo Escolar da Educação Básica 2019 aponta uma queda de 7,7% no número de alunos matriculados na EJA. Diante desses dados, é possível inferir que o estímulo para que os cidadãos que não concluíram o Ensino Básico ingressem nesses centros educacionais é baixo. De acordo com Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, a educação do homem começa no momento do seu nascimento e é resultante dos incentivos recebidos no decorrer da vida. Sob esse viés, é imprescindível que a população brasileira seja incentivada a finalizar o Ensino Fundamental e Médio, para que fique mais preparada para ingressar no mercado de trabalho e para conseguir compreender a realidade em que está inserida.
Ademais, é importante salientar que muitos indivíduos que ingressam na EJA não concluem o curso, devido, sobretudo, às dificuldades financeiras, à falta de motivação e à ausência de um método de ensino capaz de entender as peculiaridades do público. Segundo Paulo Freire, filósofo brasileiro, o papel do professor é transformar os obstáculos dos alunos em dados de reflexão, a fim de que sirvam de ponto de partida para o processo educativo. Seguindo essa linha de raciocínio, é evidente que os centros de ensino de jovens e adultos precisam se adequar ao perfil dos cidadãos, com o objetivo de incentivar a permanência dos educandos até a finalização do período de aprendizado.
Portanto, medidas precisam ser adotadas para mitigar esses problemas. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC) incentivar os cidadãos que não completaram o Ensino Fundamental e o Médio a se matricularem na EJA. Para isso, esse ministério deverá promover, nas redes sociais, campanhas midiáticas de longo alcance que estimulem a conclusão do estudo básico. Além disso, o MEC precisará preparar os professores para lidarem com as peculiaridades dos alunos. Isso deve ser feito por meio do oferecimento de cursos profissionalizantes. Tais medidas têm o objetivo de ampliar o número de matriculados na EJA e de fazer com que os educandos permaneçam frequentes até a finalização do curso.Logo, a vida de muitos brasileiros mudará, assim como ocorreu no filme “Preciosa”.