Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 22/12/2020

A modalidade de ensino para jovens e adultos (EJA) é grande aliada no combate à analfabetização no país, visto que se baseia no ensino tardio para aqueles que buscam completar o ensino fundamental ou o médio, pois esse lhes foi negado no período regular. Nesse sentido, a educação retorna aos indivíduos a sensação de inclusão, de dignidade e de pertencimento à sociedade, ademais os reapropriam ao mercado de trabalho. Entretanto, tal forma de capacitação escolar passa por desafios, seja pelas altas taxas de evasão, seja pela pouca oferta de escolas que disponibilizam o EJA.

Em primeiro lugar, destaca-se o número elevado de pessoas que abandonam tal método de ensino. Segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, os costumes impedem até mesmo as leis mais bem ordenadas de se efetivarem. A partir desse contexto, pode-se relacionar o problema de evasão do EJA, em circunstâncias em que, mesmo depois de superarem barreiras emocionais e sociais para iniciarem o curso, as pessoas, devido a tais “costumes” - como hábitos, problemas familiares ou vícios - não o finalizam, retornando ao sentimento de incapacidade. Assim, deve-se traçar caminhos para que tais questões sejam modificadas e esses brasileiros possam mudar e tornar a educação um novo “costume”.

Além disso, nota-se também o caso do baixo número de escolas que fornecem esse ensino. De acordo com a pensadora Hannah Arendt, os direitos humanos têm por essência dar direitos a todos. Isso, quando comparado ao cenário exposto, fere grandemente a Constituição Cidadã, que busca democratizar os direitos e, por conseguinte, fere o EJA que tem como objetivo maior democratizar a educação. Boa demonstração disso se dá pelo dado de um levantamento feito pelo site jornalístico G1, que diz que a quantia de instituições em que o programa de ensino tardio está disponível recuou 34%. Dessa forma, transformações devem ser instaladas nos municípios a fim de que a maioria da população possa ter acesso a esse plano educacional.

Em suma, os problemas da massiva evasão e baixo valor de escolas que promovem o método EJA precisam ser solucionados. Portanto, o governo federal junto às secretarias de educação municipais devem realizar um programa e escrever uma lei que torne obrigatório um número mínimo de escolas que tenham a ação em todos os municípios do país, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nesse programa deverão realizar palestras nas comunidades e abrigos com maiores taxas de analfabetos, nelas profissionais da educação explicarão como o EJA recupera a dignidade e auxilia essas pessoas a se readequarem ao mercado de trabalho, para que, então, os brasileiros utilizem desse recurso tão importante e se sintam mais incluídos e respeitados na sociedade.