Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 04/11/2020
No período de Brasil Colônia, o âmbito educacional era completamente restrito à elite lusitana a qual passou a integrar a sociedade brasileira após a chegada da Família Real. Em contrapartida, atualmente, a educação é um direito de todo cidadão brasileiro, assegurado pela Carta Magna desde 1988, incluindo todas as idades. Entretanto, embora haja a modalidade de ensino para adultos e idosos, pessoas dessa faixa etária não têm conhecimento da existência de tal e, as que têm, tem sua permanência dificultada por diversos fatores que vão desde fatores econômicos a pessoais.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar o problema quanto à falta de informação por parte da população sobre o Ensino para Jovens e Adultos (EJA), dificultando o acesso dessas pessoas à educação. Essa falta de ciência dos indivíduos se deve, em grande parte, a falta de disseminação sobre o EJA pelas instituições responsáveis pela educação pública no Brasil, o que promove a manutenção no analfabetismo presente na sociedade brasileira. Além disso, essas pessoas, sem formação educacional básica, buscam alternativas de empregos informais por falta de oportunidade, diminuindo a população economicamente ativa e até aumentado o número de moradores em situação de rua, o que implica um cenário econômico caótico para o país. Nesse sentido, a ideia de Immanuel Kant que diz que o homem é fruto daquilo que a educação faz dele, ganha notório significado nessa circunstância.
Soma-se a isso, a evasão das pessoas que, mesmo tendo conhecimento do direito que têm, abandonam o ensino por fatores ligados direto ou indiretamente ao hábito escolar. Nessa perspectiva, é fácil perceber que muitos desses indivíduos possuem a responsabilidade de garantir o sustento de si e de sua família e, por isso, não conseguem ter constância nos estudos. Com isso, as pessoas nessas circunstâncias - ou até mesmo em outras - não permanecem estudando, configurando, dessa forma, um cenário educacional no Brasil falho por não tratar os desiguais na medida de sua desigualdade, como propunha, já na Antiguidade, o filósofo grego Aristóteles.
Conclui-se, portanto, que soluções devem ser aplicadas. Decerto, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com o Instituto Nacional de Estudo e Pesquisa (Inep), destinar mais verba para o EJA, para que as instituições adeptas à modalidade possam providenciar cestas básicas para os estudantes que necessitam, bem como um auxílio financeiro mensal. O valor destinado será decidido por meio de uma reunião com os responsáveis pela educação, a fim de diminuir a evasão escolar desses indivíduos. Assim, o brasileiro terá o direito efetivo de estudar, independentemente da sua idade, assim como a elite lusitana do Brasil Colonial.