Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 05/12/2020

O Estado é uma instituição política de caráter normativo que visa ao estabelecimento de normas e regras para o bom funcionamento da sociedade. Desse modo, vale enfatizar que o artigo 6 da Constituição Federal de 1988 garante, dentre outros direitos, o acesso à educação. Contudo, realidades diferentes coexistem no Brasil, onde nem todos conseguem concluir a educação regular, por conseguinte, o Ministério da Educação (MEC) criou o “EJA”, educação de jovens e adultos. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os desafios dessa modalidade de ensino.

É importante ressaltar, em primeiro plano, que a educação de jovens e adultos voltada ao ensino fundamental, atualmente, está em processo de descaso no país. De acordo com informações do site “G1”, em uma década o Brasil perdeu um terço das escolas para adultos com aulas de ensino fundamental, no mesmo período que escolas de educação básica regular aumentaram em 12%. Destarte, em analogia ao pensamento do sociólogo Francês, Pierre Bourdieu, esse quadro além de prejudicar a educação dos cidadãos brasileiros, é caracterizado como violência simbólica, pois limita o ganho de capital simbólico por parte dos afetados pela falta de educação.

Cabe mencionar, em segundo plano, a importância da educação nesse contexto de desafios, de acordo com o filósofo prussiano Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Por conseguinte, a alfabetização, mesmo que tardia, é responsável pela possível eliminação ou diminuição de fatores de risco de doenças como demência e alzheimer. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, essas condições afetam mais de 50 milhões de pessoas, com expectativa de aumento em até cinco vezes em países de baixa ou média renda, onde se encaixa o Brasil. Nessa conjuntura, é evidente a extrema importância dessa modalidade de ensino no país.

Portanto, para que não haja quebra do contrato social, conceito estabelecido pelo contratualista Jonh Locke, o Estado deve garantir a manutenção do EJA, pois é de responsabilidade do Governo garantir direitos imprescindíveis como educação. Por isso, o MEC deve promover a ampliação da Educação de Jovens e Adultos, principalmente da modalidade de aulas de ensino fundamental, por meio incentivos e campanhas voltadas para escolas de educação básica, com o apoio da população e ONGs engajadas em causas educacionais. Ademais, o MEC deve realizar campanhas midiáticas voltadas ao público alvo que mostre a importância do aprendizado mesmo que tardio. Espera-se, com isso, contornar os desafios do EJA e, assim, promover os direitos do artigo 6 e do contrato social.