Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 24/12/2020
A obra “Pedagogia do Oprimido”, do filosófo e pedagogo Paulo Freire, aborda as questões socieducativas e o papel da educação na vida dos brasileiros, principalmente de adultos e jovens marginalizados ao ensino. Em seu trabalho, o autor demonstra como alfabetizou 300 pessoas em 40 horas, revogando preconceitos à respeito da alfabetização de adultos. Inspirado nesse trabalho, o EJA -Educação de Jovens e Adultos, apesar de resultados reconhecidos, ainda está longe do ideal. Essa distância, é o reflexo de inúmeros desafios, sendo um dos principais a ausência do reconhecimento como Política de Estado, que resulta em altos índices de evasão.
Em primeira análise, a educação de jovens e adultos não vem sendo prioridade das últimas gestões públicas. Apesar de estar contida na Lei das Diretrizes, que trata das Bases da Educação Nacional, a modalidade EJA vem sendo sucateada sucessivamente, com cortes de verbas e redução de corpo docente, exemplificada na redução de turmas. Tal processo, é fruto de uma mentalidade imediatista assumida por líderes no Estado, que não demonstram interesse em fortalecer e arraigar o modelo, pois tratam-o como programa em campanhas esporádicas. Essa abordagem, não soluciona os desafios a longo prazo, como assegurar a jornada do estudante, resultando em altos índices de evasão.
Por conseguinte, a árdua realidade dos alunos impacta diretamente no resultado do ensino. É notório, que os discentes em sua maioria estão inseridos no espectro da pobreza, com um árduo e insalubre dia de trabalho combinado com o ensino noturno. Além disso, mulheres veem a barreira do estudo ainda mais ampliada, com casos de maridos e patrões que dificultam e não incentivam a sua busca por condições melhores. Esses desafios, somados a dificuldades financeiras, dependência química entre outros, ocasionam no abandono novamente da escola.
Portanto, para subverter as problemáticas enfrentadas pelo EJA, urge que o Ministério da Educação-MEC- tome as devidas providências. Para erradicar a evasão do ensino EJA, o MEC deve articular com o TCU - Tribunal de Contas da União - a disponibilização de uma verba, fruto da conversão percentual de algum tributo empresarial, como o SIMPLES NACIONAL. Tal verba será utilizada para custear uma campanha publicitária em rede nacional a respeito da importância da educação na reincersão no mercado de trabalho, como também abre possibilidade para uma bolsa-auxílio para estudantes em condições de rua e extrema pobreza. Somente assim, a educação de jovens e adultos será libertadora, como sonhou Paulo Freire.