Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 11/01/2021
Na série “Segunda Chamada”, da Globo Filmes, é relatada a severa luta dos docentes e dos alunos, com realidades totalmente diferentes, para terem uma educação digna. Paralelamente, de forma a correlacionar com o meio lúdico, é perceptível que essa perspectiva é presenciada no Brasil, já que a educação de jovens e adultos (EJA) apresenta grandes empecilhos para sua efetivação. Tal problemática é motivada tanto pela desigualdade social, quanto pelo sistema integrativo ineficaz.
Primeiramente, vale salientar o período colonial no qual apenas pessoas brancas, descendentes de europeus com certa notoriedade social, tinham recursos suficientes para frequentar o ambiente escolar. Ainda que esse triste cenário tenha sido revertido, suas raízes são vistas cotidia-namente, uma vez que pessoas pobres e/ou afrodescendentes ainda apresentam diversas barreiras sociais - o racismo, por exemplo - que causam verdadeiros empecilhos para uma aprendizagem de qualidade, o que resulta em uma desmotivação massiva dessa parcela populacional. Tal fundamento é comprovado pelo Censo de Educação Básica realizado em 2015 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, segundo o qual as pessoas negras correspondiam a mais de 50% dos estudantes de cor declarada. Dessa forma, é indubitável que, enquanto as desigualdades sociais forem preponderantes, o ensino EJA será incapaz de atender a todos os necessitados.
Segundamente, cabe ressaltar que a ausência de políticas públicas efetivas tem, consideravel- mente, um efeito negativo na efetivação deste tipo de ensino, já que nem todos os indivíduos possuem benefícios e informações que os integrem à esse modelo educativo, como é o caso das pessoas transsexuais, o que vai contra o ideal de direitos postulado pela Constituição Federal. Conforme o pensamento do filósofo inglês Francis Bacon, em seu livro “Nova Atlântida”, a educação é a medida mais poderosa para a salvação da humanidade. Nesse sentido, nota-se que essa parte do tecido social torna-se refém de uma triste realidade de opressão indireta, posto que, mesmo que tenham a intenção de estudar, o Estado não oferece meios adequados para que a aprendizagem seja confortável.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de que o ensino EJA se concretize.
Destarte, as instituições escolares, em parceria com o Ministério da Educação, devem fornecer, por intermédio de dinâmicas e atividades lúdicas que o tornem protagonistas do aprendizado, uma educação condizente com a realidade e necessidade dos discentes para que eles tenham consciência da importância da educação. Tal ato será consolidado com o apoio comunitário e meios de acessibilidade que torne o ensino convidativo e pluralizado, ausente de qualquer forma de discriminação. Assim, um ambiente ideal e diferente do visto em “Segunda Chamada” será vivenciado.