Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 09/01/2021

Na metade do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa os desafios na educação de jovens e adultos (EJA), percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto de problemas políticos governamentais e tem como consequência o desenvolvimento de uma futura geração sem diploma.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o desafio na educação de jovens e adultos deriva de problemas governamentais. Segundo a Constituição de 1988, todo brasileiro tem direito a educação. Porém, dados do portal de notícias G1, indicam que o Brasil tem entre 30 a 40 milhoes de pessoas sem diploma e perdeu um terço das escolas para adultos na última década. Essa conjuntura, de acordo com o filosofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que a sociedade desfrute de direitos constitucionais, como o acesso à educação. Logo, é inconcebível que no Brasil, país que ocupa a nona posição na economia mundial, não hajam políticas que visem combater os desafios na educação de adultos e jovens.

Ademais, é imperativo ressaltar como resultado dessa situação, o desenvolvimento de uma futura geração sem diploma. Consoante o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Liquida”, a escola dos dias atuais não condiz com a nossa realidade. Partido desse pressuposto, conforme Bauman, o modelo de escola atual ainda segue às regras de uma sociedade orgânica, onde as normas são rígidas, já a coletividade moderna segue a modernidade liquida, onde tudo age de forma flexível. Nesse sentido, o aluno do EJA é cada vez mais jovem, é o fruto das instituições de baixa qualidade que seguem os moldes de uma sociedade passada, esse é o estudante que vai buscar o EJA no futuro e provavelmente não irá encontrar o devido amparo. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como as consequências que essa realidade segregacionista pode vir a causar.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes aos desafios na educação de jovens e adultos. Para isso, com intuito de garantir oportunidade de escolarização para todas as gerações vítimas de instituições ruins, necessita-se que o Ministério da Educação, por meio da contratação de especialistas no assunto, trace um novo plano para o EJA de modo a assegurar que o direito universal ao ensino seja aplicado. Outrossim, esses planos podem usar de exemplo, projetos como o “Aprender Hoje”, onde ex alunos de uma instituição dão aulas no turno da noite para indivíduos que queiram obter conhecimento. Dessa forma,o Brasil do livro de Zweig vai estar próximo da realidade.