Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 13/01/2021

Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos os brasileiros o direito a uma educação de qualidade. Entretanto, ao analisar a realidade nacional em que o EJA é extremamente desvalorizado, fica nítida a incoerência do estatuto. Seja pela negligência governamental, seja pela desigualdade social vigente, é necessário frear esse impasse.

Primeiramente, deve-se ponderar o modo como as autoridades federais corroboram o problema. Segundo o filósofo Rousseau, o Estado é a máxima responsável por garantir o bom funcionamento da sociedade. Contudo, observa-se que tal conceito não se aplica à perspectiva nacional quando se toca na questão da educação para jovens e adultos, dado que esse projeto não recebe muito financiamento para a efetivação do seu propósito, que é oferecer um aprendizado de qualidade para indivíduos que não tiveram a oportunidade de finalizar o ensino médio. Prova disso é o fato de que, segundo o jornal ´G1´, na última década, a oferta do EJA em escolas públicas, recuou em 34% devido à falta de infraestrutura. Destarte, é essencial a mudança desse quadro.

Outrossim, convém ressaltar como a discrepância coletiva agrava o entrave. Conforme dito pelo educador Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. A partir da frase, pode-se inferir a tamanha influência que o ensino possui sobre as mudanças sociais. Nesse sentido, observa-se que, no Brasil, nem todos cidadãos possuem a oportunidade de completar o ensino médio, dado que diversos indivíduos das camadas mais pobres começam a trabalhar desde a infância para garantir uma renda mínima necessária para a sobrevivência da família. Desse modo, milhares de brasileiros ficam privados do direito de adquirir um diploma para futuramente ingressar no mercado de trabalho formal fomentando a perpetuação da pobreza no país. Por conseguinte, é imprescindível a alteração desse panorama para, consequentemente, reduzir os índices de uso do EJA.

Portanto, para amenizar esse cenário negativo, cabe ao Ministério da Economia, por meio do aumento de verbas direcionadas ao Ministério da Educação, que, por outro lado, fará uso desse recurso financeiro para reformar a infraestrutura dos centros que oferecem o EJA ao comprar equipamentos, como livros e computadores, e construir mais locais para garantir o bom funcionamento do projeto. Ademais, é dever, ainda, do Ministério da Educação, como órgão responsável pelo ensino brasileiro, por intermédio da criação de mais grades escolares em diversos horários do dia, auxiliar e incentivar os jovens que necessitam trabalhar a persistirem nos estudos, ao invés de abandoná-los devido aos horários incompatíveis. Assim, a Constituição Federal de 1988 ficará mais coerente com a realidade.