Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 10/01/2021

A obra literária “Vidas Secas”, escrita por Graciliano Ramos, retrata a problemática da ausência educacional na vida de um indivíduo, ao passo que descreve o personagem principal - Fabiano - sendo manipulado diversas vezes por desconhecer o léxico das palavras. Analogamente, longe da literatura, o desacesso ao ensino pode emblematizar tamanha vulnerabilidade, tanto para os civis quanto para o Estado. Nesse sentido, o Governo Federal criou o EJA (Educação para jovens e adultos), no objetivo de romper com a lacuna educativa tupiniquim. Entretanto, seja pela latente desigualdade social do país ou pela pobre divulgação do programa, a recente metodologia ainda carece de estimulos e fortificação.

Previamente, é relevante salientar os impasses econômicos que afastam os cidadãos do ambiente escolar. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa, 50% dos brasileiros sobrevivem com menos de um salário mínimo. Dessa forma, à medida que a renda de uma família é escasssa, o cidadão é afastado precocemente dos centros de ensino. Consequentemente, devido ao simples curriculo, a aquisição de melhores empregos é dificultada, tendo como resultado entraves para a retomada de estudos pelo EJA e poucos profissionais qualificados para o país - extremamente necessário para o desenvolvimento nacional. Segundo o filósofo John Locke, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Desse modo, oferecer auxílios aos vulneráveis é crucial.

Ademais, a incipiente elucidação da modalidade EJA provoca impecilhos até para os interessados em retomar os estudos. Indo de encontro à teoria do “Agir Comunicativo”, proposta pelo teórico Habermas, as mídias deveriam divulgar o maior número de informações à população, a fim de instrui-las. Entretanto, ao analisar o prisma brasiliense, a baixa divulgação de recursos como a “Educação para jovens e adultos” impede a formação acadêmica e melhores perspectivas aos indivíduos. Prova disso são os dados do  Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, que revela aproximadamente 30 milhões de brasileiros não terem diploma de educação básica ainda. Logo, promover uma publicidade maior do programa é mister para romper com o déficit educacional do Brasil.

Portanto, ações são essenciais para contornar os desafios da “Educação para jovens e adultos”. Sob essa ótica, a criação de uma bolsa para os melhores alunos de cada turma do EJA, por meio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, é primordial a fim de possibilitar a retomada de estudos. Para isso, a verba do Ministério da Educação e Cultura serviria como custeio. Outrossim, a inserção de propagandas em outdoors nas rodovias, por intermédio de parcerias entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o Ministério de Desenvolvimento Regional. é imperioso no intuito de divulgar o programa. Assim, casos como os de “Fabiano” não serão comuns.