Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 12/01/2021

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, assegura o direito de todos à educação, sendo dever do Estado a sua promoção, visando o pleno desenvolvimento da pessoa para o exercício da cidadania e do trabalho. No entanto, nota-se, no Brasil, que tal dever constitucional não é plenamente satisfeito, uma vez que o ensino para jovens e adultos (EJA) enfrenta dificuldades para alcançar a sua parcela alvo na sociedade. Sob esse viés, isso se deve ao modelo educacional tecnista brasileiro que concebe a educação apenas como ferramenta de ingresso ao mercado de trabalho e assim, investe pouco no ensino para os mais velhos.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o principal desafio do ensino para jovens e adultos (EJA) é o baixo orçamento governamental direcionado a essa modalidade. Assim, segundo dados do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) o EJA recebe menos de 1% de toda a verba direcionada à educação básica. Sendo assim, percebe-se que há, por parte do Governo Federal, maiores esforços para a formação de crianças e adolescentes que podem, futuramente, adentrarem no mercado de trabalho enquanto ocorre a negligência aos adultos não alfabetizados, uma vez que essas pessoas já possuem posições definidas na sociedade. Diante disso, percebe-se que não é levado em consideração que a educação deve ser, além de um instrumento necessário para a economia e à profissionalização, uma ferramenta essencial para o desenvolvimento da cidadania.

Dessa forma, como consequência, menos escolas pelo país oferecem o EJA, o que causa forte impacto na vida de pessoas que gostariam de obter acesso a educação que, no passado, fora negada. Sob essa perspectiva, muitos são os brasileiros que necessitaram abandonar os estudos por motivos como gravidez precoce, dificuldades no acesso às escolas, necessidade de adentrar no mercado de trabalho para complementar a renda familiar etc. Sendo assim, essas pessoas perderam a oportunidade de melhorar sua autoestima, reconhecer seus direitos fundamentais e se integrarem na sociedade de forma a exercerem plenamente sua cidadania e, com o baixo incentivo ao EJA, continuam à margem da sociedade.

Portanto, os desafios do EJA possuem cunho financeiro e merecem atenção do Estado. Com isso, cabe ao Ministério da Educação juntamente com o Governo Federal investirem maior porcentagem da verba direcionada ao ensino básico ao EJA de forma a permitir que mais escolas estejam aptas a receber esses estudantes, além de incentivar a realização de campanhas pelas cidades do país com o intuito de possibilitar a busca dos cidadãos por essa modalidade, tal ação visa garantir o direito constitucional à educação e oferecer dignidade e cidadania a todos.