Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 11/01/2021

O geógrafo Milton Santos, no seu texto “As cidadanias mutiladas”, enfatiza que a democracia só é efetiva quando os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Nesse aspecto, percebe-se que o Estado brasileiro tem negligenciado uma grande parcela de seus filhos que por diferentes motivos não conseguiram completar seus estudos em um tempo regular. Diz-se isso, pois há uma falta de política públicas voltadas para o atendimento das necessidades e singularidades da modalidade de ensino de Educação de Jovens e Adolescentes (EJA), o que resulta em uma normatização de estigmas latentes na sociedade brasileira.

Primeiramente, uma pesquisa realizada no setor educacional da Universidade de São Paulo (USP) registrou uma queda de 35% nas inscrições de alunos da EJA. O motivo para a redução dessa demanda pode ser explicado pela falta de motivação e as dificuldades, como o cansaço após um longo dia de trabalho, ou a ausência de horizontes de mudanças social imediatas, experimentados pelos educandos. Esses elevados índices de evasão colaboram para tornar a modalidade desacreditada entre os dirigentes escolares, visto que diminuem os indicadores de fluxo e rendimento repercutindo na avaliação das unidades de ensino e, consequentemente na remuneração destinadas a elas, ocasionando assim uma menor quantidade de escolas que se interessem em oferecer a EJA.

A consequência dessa ineficácia do Estado é o reforço de paradigmas sociais no que diz respeito ao nível de escolaridade e as posições sociais que os indivíduos devem ocupar na comunidade. O próprio Capitalismo reforça essa ideia ao associar pessoas de baixa escolaridade a uma mão de obra barata e que deve ser ao máximo explorada, a fim de gerar mais lucros para o empregador. Dessa maneira, uma estagnação intelectual é considerada necessária por indivíduos de maior nível educacional. Com isso, percebe-se uma normatização dessa problemática e uma verdadeira “Atitude Blasé”, termo do sociólogo alemão George Simmel, do corpo social que passa a agir com indiferença em meio às situações que deveria dar total atenção.

Portanto, urge que o Ministério da Educação invista em centros de preparação de professores que trabalhem na modalidade da EJA. Para isso, poderá ser ofertado às escolas publicas que atenderem a essa demanda uma maior quantidade de recursos de fundos educacionais, a fim de que elas possam criar mecanismos para os docentes investirem no lúdico e em ações que adequem as suas aulas as necessidades de compreensão dos alunos, com o propósito de não haver desistência do curso. No mais, o investimento em palestras que envolvam os familiares do aluno e a própria comunidade são primordiais para o estimulo do discente e para a consequente quebra dos preconceitos sociai no país.