Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 11/01/2021

Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos, inclusive à educação. Por conseguinte, para efetivação dessa premissa é imprescindível a manutenção de um ensino escolar qualificado. Entretanto, os frequentes desafios enfrentrados na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) demonstram que essa teoria não é experimentada na prática. Nesse contexto, cabe analisar que a dificuldade da realidade social e a infraestrutura precária das escolas são os principais causadores do problema.

No que concerne à problemática, cabe analisar que a desigualdade enfrentada na vida cotidiana dos estudantes intensifica a situação abordada. Nesse viés, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um em cada dez jovens com idades entre 14 e 29 anos não concluíram o ensino médio porque precisavam promover o autossustento ou o de sua família. De maneira análoga, consoante aos dados apresentados, o trabalho é o principal motivo da evasão escolar no país, sendo concomitantemente a dificuldade enfrentada pelos alunos ao tentarem retornar aos estudos pelo EJA. Como consequência, há falta de oportunidade ao cidadão, o que acentua a desigualdade social presente na sociedade.

Outrossim, a negligência governamental com a estruturação dessa modalidade de ensino contribui com os desafios enfrentados pelos estudantes. No que tange ao ponto de vista apresentado, segundo o contratualista Thomas Hobbes, cada cidadão abre mão de parte da sua liberdade e delega funções ao Estado, que são exercidas por meio de um contrato social -leis-, a fim de atingir o bem-estar comum. Em analogia, tem-se pouca representatividade política no Congresso Nacional, no que diz respeito à falta de investimento na área escolar de formação dos jovens e adultos, o que  prejudica o desempenho do aluno e rompe com o acordo proposto pelo filósofo. Com efeito, os governantes não dão a devida importância e, consequentemente, os centros escolares não possuem uma infraestrutura de qualidade.

Urge, portanto, medidas para amenizar a situação em questão. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Poder Político, incentivar o retorno escolar no EJA. Isso será feito por meio de investimento, por parte governamental, em projetos de bolsas financeiras aos alunos necessitados, o que funcionará como um auxílio de autossustento a esses indíviduos durante sua formação. Dentro dessa conjuntura, tais ações tem por objetivo promover o acesso à educação qualificada para todos, como pregado por Tomás de Aquino.