Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 12/01/2021

A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê, em seu artigo 6°, o direito a educação como intrínseco ao ser humano. Infelizmente, na realidade brasileira, essa garantia não é efetivada, visto que o número de indivíduos que não concluíram os estudos aumenta de modo expressivo. Isso ocorre devido à problemas socioeconômicos, que muitas vezes impedem a pessoa de continuar os estudos, assim como à falta de investimentos e incentivo do governo. Dessa maneira, alternativas são necessárias para aprimorar o aprendizado a jovens e adultos.

Releva-se abordar que, no decorrer do Brasil Colônia, o país recebeu diversos investimentos em escolas e instituições de ensino. Contudo, estas eram concentradas nos grandes centros urbanos e dedicadas à elite. Esse feito resultou em uma segregação educacional da classe mais baixa da população, que tem resquícios até hoje, dado que mais de 30 milhões de pessoas não possuem diploma. Porém, com objetivo de universalizar o ensino, foi criado, em 2007, a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), destinado àqueles que não tiveram oportunidade de concluir os estudos no tempo convencional. Embora a medida tenha beneficiado diversas pessoas, no momento atual, passa por uma série de desafios que comprometem sua eficiência.

Ademias, vale ressaltar que a educação permanece um direito básico de todo cidadão brasileiro. Porém, essa prerrogativa não reflete na sociedade, tendo em vista que o governo trata com descaso e atribui qualidade de mercadoria ao ensino de jovens e adultos sem graduação no ensino básico. Essa dinâmica ocasiona a falta de investimentos na categoria EJA, que recebe menos de 1% da verba concedida à educação. Além disso, o número de escolas que a oferecem caiu 34%, o que causa danos ao aprendizado de milhões de indivíduos, cuja única oportunidade de estudar era por meio do EJA. Logo, providências precisam ser tomadas para que todos tenham a oportunidade de transformar sua vida por intermédio da educação, pois, como proferiu Epicteto, filósofo grego, “só a educação liberta”.

Dessa forma, faz-se imprescindível o debate acerca dos desafios da modalidade de ensino EJA. Nessa lógica, incumbe-se ao Ministério da Educação (MEC), juntamente com o Ministério da Economia (ME), aumentar a verba destinada à Educação de Jovens e Adultos, de modo que seja possível um maior investimento das escolas em materiais didáticos, laboratórios e refeição para os alunos. Além do mais, cabe também ao MEC a promoção de propagandas, transmitidas nos meios de comunicação, com objetivo de incentivar os estudos daqueles que não possuem ensino básico completo. Feito isso, será possível a democratização no âmbito educacional e a garantia da cidadania a todos.