Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 16/01/2021

O filme “Escritores da Liberdade” retrata o drama da nova professora Erin Gruwell numa escola da periferia norte-americana, onde ela consegue, depois de várias tentativas, aumentar o interesse dos alunos pelos estudos, os tornando pessoas melhores em uma convivência social, mostrando a possibilidade de mudança através da educação. Entretanto, essa não é uma realidade brasileira, visto que há políticas de incentivo insuficientes relacionadas à essa pauta no país, gerando problemas como os relacionados à EJA (Educação de Jovens e Adultos). Nesse sentido, tanto a falta de atenção dada à essa modalidade, quanto a carência de auxílios nas salas são caminhos para entender a problemática.

Em primeira instância, vale salientar a interferência da falta de investimentos governamentais no contexto. No artigo 205, a Constituição federal declara que a educação é direito de todos e dever do Estado e da Família, que visa o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Contudo, apesar da modalidade do EJA representar uma importante ferramenta de ensino, ela ainda recebe poucos investimentos governamentais para sua ampliação e manutenção. Tal perspectiva se comprova, pois, segundo a revista “VEJA” do ano de 2009 a 2019, um terço das escolas brasileiras que ofereciam o ensino fundamental para o programa do EJA abandonaram o serviço por falta de investimento. Logo, é inadmissível que esse cenário continue.

Outrossim, deve-se avaliar a falta de amparo recebida pelos alunos dessa modalidade. Desde o período colonial do Brasil era perceptível a grande discrepância dos direitos ao ingresso educacional, já que nessa época apenas a nobreza tinha acesso à leitura e à educação. Da mesma maneira, em pleno século XXI, é inferível que, a quantidade de indivíduos que precisaram abandonar a escola ou nunca puderam ter acesso a ela por falta de escolha, devido aos problemas socioeconômicos, é preocupante. O Censo Demográfico de 2010 contabilizou 13,9 milhões de jovens e adultos com idade superior a 15 anos que não sabem ler e escrever. Sob tal ótica, muitos sujeitos que não puderam concluir seu ciclo estudantil têm a oportunidade de finalizá-lo por meio da plataforma do EJA. No entanto, pela falta de incentivo e amparo nas salas de aula, eles têm dificuldades em acompanhar o ritmo escolar e, dessa forma, acabam abandonando o sistema. Desse modo, evidencia-se o reforço das práticas auxiliares.

Diante do exposto, portanto, é notório que caminhos são necessários para amenizar os desafios enfrentados pelo EJA. Sendo assim, cabe ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, órgão responsável por promover a redistribuição dos recursos vinculados à educação, ampliar os investimentos destinados a essa modalidade, por meio da implantação em mais instituições e sua manutenção, a fim de aumentar o numero de cidadãos alfabetizados e capacitados para a vida.