Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 15/07/2021
No filme “Preciosa - uma história de esperança”, é relatada a história da jovem Preciosa, a qual encontra na educação uma possibilidade de superar as dificuldades de sua vida. Fora das telas, a educação tem o mesmo poder transformador, sendo fundamental a sua garantia a todos os cidadãos. Porém, no Brasil, aqueles que não conseguiram completar os estudos na idade regular enfrentam barreiras para o acesso a modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos). Faz-se necessário, então, debater acerca dos desafios para a implementação do EJA, a fim de encontrar maneiras de contorna-los.
Inicialmente, destaca-se a importância do EJA. Para a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre o Espaço Público, todas as instituições públicas devem ser inclusivas a todos os indivíduos para que possam exercer genuinamente a sua função. Nesse sentido, o EJA é uma ferramenta para tornar as escolas mais inclusivas àqueles que não se formaram na idade convencional. Assim, essas pessoas estarão mais integradas na sociedade, podendo exercer plenamente sua cidadania, além de terem maiores chances de ascensão econômica pelo incremento no currículo.
Contudo, essa modalidade de ensino não é devidamente valorizada no Brasil. De fato, há pouco investimento para a implementação do EJA nas instituições de ensino, ficando em segundo plano em comparação ao o ensino regular ou superior. Além disso, existe muito preconceito contra as pessoas não alfabetizadas, que por isso se sentem intimidadas e incapazes de voltar a estudar. Com isso, esses indivíduos têm seu direito à educação anulado, o que pode torna-las limitadas em diversos aspectos, pois, como defendia o educador Paulo Freire, a educação, por meio de seu potencial transformador, permite o exercício da liberdade.
Portanto, urgem medidas governamentais para transpor as barreiras que dificultam o acesso ao Ensino de Jovens e Adultos. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei que instaure o EJA como uma política de Estado, deve obrigar um investimento mínimo por todas as esferas governamentais na modalidade de ensino EJA. Ademais, a mídia deve abordar a temática em talk shows, incentivando a procura pelo EJA ao divulgar casos de pessoas que tiveram sucesso em suas vidas após a formação pela modalidade. Desse modo, todos terão acesso ao poder transformador da educação, não importando a idade.