Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 29/07/2021
No livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano desconfia que está sendo enganado pelo patrão em relação às suas contas, mas ele não é letrado e não consegue afirmar essa dúvida. Fora da ficção, assim como Fabiano, muitos brasileiros não possuíram acesso ao ensino na escola convencional, porém, agora, utilizam a modalidade de ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos), a qual sofre empecilhos para que seja aplicada devidamente no país. Nesse contexto, torna-se evidente que a negligência estatal e a evasão escolar contribuem para a intensificação da problemática.
Em primeira análise, faz-se relevante ressaltar que a modalidade de ensino EJA não é vista como uma política pública pela grande maioria dos governantes. Nesse sentido, não há uma organização eficiente, tanto em relação à estrutura, quanto à verba destinada às escolas, o que leva à diminuição de locais de ensino que ofertam a EJA. Nesse viés, de acordo com dados divulgados pelo jornal G1, em 2019, o número de escolas que oferecem a modalidade supracitada é apenas 66% do que era oferecido na última década. Dessa maneira, a população sofre com a falta de vagas nas escolas, intensificando essa problemática. Assim, é preciso que a EJA não seja reconhecida apenas como uma campanha ou um projeto e que haja maior preparação e interesse do Estado.
Ademais, os alunos da EJA enfrentam dificuldades em permanecer e terminar o ensino. A princípio, destaca-se que esses jovens e adultos tiveram que sair da escola para ajudar na renda de casa ou nunca estudaram e agora necessitam enfrentar adversidades para continuar frequentando o local de ensino. A partir disso, há vários fatores que afetam essa jornada, como a falta de incentivo de familiares, o cansaço, a falta de confiança em si e até mesmo algum vício que possa existir, os quais desestimulam os estudantes a prosseguirem. Nesse contexto, a pedagoga do Colégio Imaculada Conceição afirma que o índice de evasão em um semestre foi de 15,5%, em 2019, em uma entrevista cedida ao jornal O Tempo. Dessa maneira, é preciso incentivar a permanência desses alunos na escola.
Portanto, é necessário mitigar essa problemática. Logo, cabe ao Congresso Nacional e às Secretarias de Educação de cada estado, respectivamente, propor e votar nos orçamentos destinados à modalidade de ensino EJA, bem como aumentar o número de escolas que ofereçam esse ensino, por meio de reuniões entre senadores e deputados com o objetivo de discutir sobre a questão e desenvolver alternativas para implementar esse modelo de educação, a fim de garantir a devida política pública em todos os estado brasileiros. Além disso, é necessário que a população seja estimulada a buscar e a permanecer na EJA, com o apoio psicológico adequado aos alunos. Sendo assim, casos como o de Fabiano, de “Vidas Secas” não será tão comum e a cidadania poderá ser articulada à todos.