Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 13/09/2021

Segundo dados do Banco Mundial, a evasão escolar afeta 25% dos jovens brasileiros. Nesse cenário, o ensino EJA (Educação de Jovens e Adultos) é essencial para assegurar o direito à educação àqueles que, por algum motivo, desistiram dos estudos na idade regular. Contudo, a parcela da população que necessita dessa modalidade de ensino enfrenta desafios para acessá-la e tem seu direito à educação afetado. Faz-se necessário, então, debater acerca dos desafios do EJA, a fim de encontrar maneiras de contorna-los e implementar efetivamente o modelo no país.

Inicialmente, destaca-se a importância de tal modelo de ensino. Para a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre o Espaço Público, todas as instituições públicas devem ser inclusivas a todos os indivíduos para que possam exercer genuinamente a sua função. Nesse sentido, o EJA é uma ferramenta que pode tornar as escolas mais inclusivas, pois possibilita àqueles que desejam voltar a estudar em uma idade não convencional uma atenção diferenciada. Assim, essas pessoas estarão mais integradas na sociedade, podendo exercer plenamente sua cidadania, além de terem maiores chances de ascensão econômica pelo incremento no currículo e redução da desigualdade social.

Contudo, o EJA não é devidamente valorizado no Brasil. De fato, existe pouco investimento para a implementação da modalidade nas instituições de ensino e para a qualificação de profissionais habilitados para as suas especificidades. Além disso, há ausência de debate sobre a temática na mídia e na sociedade, o que acaba gerando estranheza e preconceito contra as pessoas que não concluem os estudos na idade convencional. Com isso, esses indivíduos sentem-se desmotivados a voltar a estudar e têm seu direito à educação anulado, o que contradiz o artigo 205 da Constituição de 1988, o qual afirma que a educação é um dever do Estado e da família e deve ser promovida e incentivada pela sociedade.

Portanto, urgem medidas governamentais para transpor as barreiras que dificultam o acesso ao Ensino de Jovens e Adultos. Para isso, o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei que instaure o EJA como uma política de Estado, deve obrigar um investimento mínimo por todas as esferas governamentais nessa modalidade de ensino. Ademais, a mídia deve abordar a temática em talk shows, incentivando a procura pelo EJA ao divulgar casos de pessoas que tiveram sucesso em suas vidas após a formação pela modalidade. Desse modo, todos terão acesso ao poder transformador da educação, não importando a idade.