Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 21/09/2021

No livro Capitães de Areia, de Jorge Amado, o personagem Professor é o único alfabetizado dentre os demais, tornando-o aquele que lê e entretém seus companheiros, cujos direitos básicos da criança e do adolescente, como o ensino, os foram negados. Atualmente, no Brasil, o acesso à educação de qualidade ainda é uma prática restrita, não só nos anos iniciais, mas também na juventude e vida adulta, fazendo com que essa pauta mereça devida atenção, seja pela obrigação estatal de prover didática ao cidadão, seja pelo impacto econômico.

Primeiramente, levando-se em consideração a pirâmide das necessidades, proposta por Maslow, a segurança da moralidade é vista como prioritária na vida humana, assim, é preciso que se entenda que uma população privada do acesso ao ensino em todas as fases de sua existência, apresenta uma queda significativa na qualidade de vida. Tal fenômeno pode ser explicado pelo falso discurso meritocrático socialmente difundido, uma vez que a educação de qualidade e a fundamentação acadêmica não são nacionalmente oportunizadas, resultando no não estímulo ao pensamento crítico e crescimento profissional do cidadão. Dessa forma, é evidente que a premissa do filósofo é verdadeira, pois o bem estar populacional e comprometido diante da negligência do estudo.

Além disso, conforme a teoria do determinismo, proposta por Taine, o ambiente define as pessoas que nele vivem, assim, a parcela populacional cujo ensino de qualidade não lhe é apresentado, tende a estagnar-se em sua condição social. Tal fenômeno é evidenciado pelo alto número de pessoas que perdem boas oportunidades trabalhistas por não apresentarem os componentes curriculares vinculados à educação, e integram serviços informais na necessidade de sustento próprio, ou familiar, deixando de ascender no mercado. Logo, é possível fazer jus ao pensamento do filósofo, uma vez que a inserção do indivíduo na sociedade sem uma base didática, tende a guiá-lo em realizações futuras.

Portanto, tendo em vista os benefícios nacionais consequentes da democratização educacional, o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, deve incentivar centros de estímulo acadêmico, como o EJA, que ofereçam cursos profissionalizantes e ensino de qualidade, por meio da contratação de professores capacitados, com a participação de voluntários que ajudarão na divulgação do projeto, com o intuito de que o aprendizado seja oferecido de maneira geral, para que se realize o pleno exercício da igualdade e da justiça.