Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos

Enviada em 17/10/2021

Na obra “A pedagogia do Excluído”, o pedagogo Paulo Freire afirma que o objetivo da educação é conscientizar o aluno e ajudá-lo a construir uma autonomia social e crítica. Sob essa ótica, o hodierno contexto do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) vai de encontro com o pensamento de Freire, visto que a desvalorização que permeia tal modalidade inviabiliza a aplicação da metodologia freiriana. Isso se deve, sobretudo, à negligência estatal e ao preconceito que envolve a temática.

Mormente, é válido ressaltar que o descompromisso do Estado, no que tange a promover a consolidação do EJA, atravanca a democratização da educação no país. Nessa perspectiva, a Constituição Federal, no artigo 205, postula que a educação é direito de todos e que ela deve ser promovida pelo poder público. Sob esse viés, o notório que esse preceito não é respeitado, uma vez que o governo, ao abdicar da missão de desenvolver eficientemente a modalidade de ensino que engloba os indivíduos que não tiveram acesso pleno ao direito a estudar, demonstra sua irresponsabilidade e expõe uma parcela considerável de pessoas à condição de vulnerabilidade. Dessa forma, o imobilismo da máquina publica dificulta a construção de uma cidadania pautada pela educação.

Outrossim, o sentimento de incapacidade de regresso aos estudos, que envolve os cidadãos que não frequentaram o ensino convencional, impede uma consolidação do EJA. Sobre isso, o sociólogo Wright Mills pontua que, para lidar com as adversidades da contemporaneidade, a humanidade deveria abdicar do senso comum e começar a tratar o mundo de forma racional. Nesse sentido, é óbvio que a ideia de que o retorno ao ambiente escolar é um ato vergonhoso não compactua com ideia de Mills, tendo em vista que esse pensamento desconsidera irracionalmente a importância de completar todas as etapas de ensino. Dessa maneira, a não discussão sobre o valor da educação em todas fases da vida achincalha o papel do EJA.

Torna-se imprescindível, portanto, buscar a valorização das modalidades de ensino não convencionais. Para isso, é papel do Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas educacionais da nação - financiar a criação de mais turmas do tipo EJA, por meio de uma parceria com as instituições de ensino público, a fim de concretizar os dizeres constitucionais. Além disso, ele deve elaborar campanhas publicitárias sobre os benefícios do retorno as atividades escolares, mesmo que em idades não habituais, com objetivo de combater ideias que atrasam a consolidação da educação brasileira. Assim, quiçá um dia, as ideas de Paulo Freire sejam plenamente aplicadas.