Desafios da modalidade de ensino EJA: Educação de Jovens e Adultos
Enviada em 17/11/2021
É insofismável que o Brasil avança cada vez mais em termos de conquistas sociais. Entretanto, no que diz respeito, especialmente, à área da educação, o país ainda apresenta calamidades. Esse cenário, por sua vez, é marcado pela adesão acentuada ao EJA (Ensino para jovens e adultos), que consiste em uma modalidade criada pelo Governo com o fito de promover a conclusão tardia do Ensino Médio, em menor tempo, e para pessoas de diferentes faixas etárias. Todavia, a popularização desse modelo de ensino indica, na prática, uma medida paliativa para a falta de educação primária eficaz -propiciada pela inoperância estatal- e ainda ratifica as desigualdades sociais presentes nesse contexto. Por isso, é indubitável que a opção pelo EJA, como medida remediadora, a verdade fomenta problemáticas sociais brasileiras. Nesse sentido, é válido ressaltar que a promoção do EJA evidencia uma ineficácia dos órgãos governamentais na formação primária desses jovens. Isso significa que a inacessibilidade de um ensino fundamental de qualidade compromete diretamente a aprendizagem dos jovens e crianças brasileiros, uma vez que é nessa faixa etária em que acontece o pico de aprendizado. Segundo a máxima do filósofo Pitágoras, “é preciso que eduquemos as crianças de hoje, para que não seja preciso castigar os homens de amanhã” -ensinamento esse que é paulatinamente desprezado pelo Governo ao insistir em medidas paliativas ineficazes que inserem alunos de diferentes níveis de dificuldades e idades em um mesmo contexto de aprendizagem. Dessa forma, é nítido como a perspectiva do EJA, como modelo educacional, é prejudicial para a formação brasileira já que, devido à falta de uma boa educação primária, possui diferentes demandas de aprendizado, muitas vezes, insuficientes no EJA que é aplicado em menor tempo. Ademais, é preciso salientar que a omissão estatal com a educação básica também acentua as desigualdades sociais ao propor o EJA como medida educativa uniformizadora. Esse cenário alarmante é formado, na maioria das vezes, pela destinação desse ensino à população menos abastada do Brasil -o que confirma que as desigualdades sociais brasileiras possuem raiz inquestionável na falta de acesso à educação. Como exemplo disso, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2017, a cada dez brasileiros sem Ensino Fundamental completo, sete deles possuíam renda familiar de até um salário mínimo -fato que comprova o vínculo da falta de educação com a desigualdade social- sendo essa parcela o principal foco da medida paliativa governamental. Diante disso, torna-se inquestionável o Ensino para jovens e adultos como um mecanismo de manutenção das desigualdades sociais na medida em que são oferecidas -tardiamente- condições de estudo para diferentes contextos e necessidades, que são cada vez mais segregadoras, ao invés de proporcionar um ensino homogêneo de qualidade a todas as camadas sociais. Portanto, tendo em vista que o EJA é caracterizado por ser uma medida protelária para problemas fundamentais na educação, colabora para desigualdades sociais brasileiras e precisa ser repensado. Logo, urge que o Ministério da Cidadania –órgão responsável pelo bom desenvolvimento social do Brasil- erradique o alto índice de adesão ao EJA como segunda alternativa de formação educacional. Isso deve ser feito por meio de campanhas de conscientização nas ruas e na mídia televisiva que desestimulem a adoção dessa modalidade como opção escolar e que fomentem o espírito de protestos, a fim de exigir maior engajamento governamental nas questões de educação primária. Dessa maneira, com a participação estatal efetiva, o paradigma de desigualdades sociais, reforçado pela inacessibilidade escolar primitiva, será refreado e, assim, as crianças hodiernas serão educadas não sendo necessário castigá-las no futuro com a adoção de sistemas educacionais injustos e segregadores por classe.