Desafios da polícia de fronteira no Brasil
Enviada em 07/04/2021
Na série “Narcos”, Pablo Escobar, um traficante de origem colombiana, transporta toneladas de cocaína para Miami, devido a falta de policiamento nas fronteiras do México com os Estados Unidos. Longe da ficção, o tráfico ilegal pelas fronteiras é uma realidade no Brasil, sendo necessária uma análise, seja pela escassez de guardas, seja pela irreflexão do Estado.
É indubitável que a carência de policiais na fronteira do país esteja entre as causas do problema. De acordo com dados do Sistema Integrados de Monitoramento de Fronteiras, o SISFRON, em 2017, a pátria brasileira posuia apenas 982 agentes nas extremidades de nação. Sob tal perspectiva, não há dúvidas de que essa quantidade é insuficiente, uma vez que o Brasil é um país continental, que possui cerca de 16.886 quilômetros de fronteiras terrestres e 7.408 quilômetros de costa marítima. O que, por consequinte, corrobora para a proliferação de drogas nos grandes centros urbanos do país, como Rio de Janeiro e São Paulo. Desse modo, percebe-se a urgência de ampliar os números de policiais capacitados para tal feito.
Outrossim, convém frisar que, o descaso do governo no investimento da fiscalização nas extremidades do país deterioram a situação. Segundo Hannah Arendt, em “A Banalidade do Mal”, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Seguindo essa linha de pensamento, de maneira análoga, as realidades tão recorrentes das fronteiras brasileiras, são encaradas como uma normalidade pelo Estado, pois, o mesmo acaba por não encarar o problema como uma veracidade. Nesse ínterim, nota-se que, é preciso que o governo assuma suas respectivas responsabilidades. Torna-se evidente a tomada de medidas para atenuar a problemática. Para isso, é necessário que o Governo Federal, em parceria ao MEC e apoiado pelo Exército Brasileiro, crie um programa de estudo técnico dentro das escolas e nas unidades de forças armadas, chamado “Proteção dos Limites”, com âmbito em preparar jovens para a atuação nas fronteiras do Brasil. Além disso, cabe ao mesmo, aliado às midias de televisão e internet, promover propagandas para incentivar o ingresso nesse trabalho. Assim, será possível evitar que outro Pablo Escobar trafique no país.