Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 22/04/2018
Muito se fala das consequências ambientais e sociais de um rápido desenvolvimento econômico, como o observado na América Latina, mas pouco se discute sobre os reflexos diretos e indiretos na saúde pública. A obesidade, por exemplo, é uma das doenças que cresce de forma preocupante, em especial nas crianças e adolescentes, sem que algo se faça para evitá-la.
Vários são os fatores trazidos do rápido crescimento que podem levar à obesidade infantil. Como o sedentarismo, a má alimentação e a falta de informação. Hoje, as antigas brincadeiras conhecidas pelas gerações passadas foram substituídas por vídeo-games, computadores e tablets, que não necessitam de nenhuma espécie de atividade física para serem utilizados. A facilidade de acesso a produtos industrializados e transgênicos e aos populares fast-foods, aumenta o consumo destes em detrimento de alimentos saudáveis, mais caros. Além disso, não existe uma consciência coletiva dos males que tais atitudes trazem para o presente e o futuro dessas crianças. A obesidade não é tratada com a seriedade que precisa, podendo levar o Brasil ao mesmo quadro que se encontra os Estados Unidos, um exemplo claro dos pontos apresentados.
A indiferença por parte dos responsáveis, das escolas e do próprio Governo é uma das principais barreiras para tratar essa doença. Outra está ligada à realidade brasileira. Num país onde ainda existem pessoas que sofrem com a escassez de alimento, água, saneamento básico, saúde e educação, é difícil pensar em ações governamentais que atuem na parcela obesa da população. Não é prioridade para um Estado que lida com tantos problemas sociais, como o Brasil, que 33% das crianças entre 5 e 9 anos estão a cima do peso ou que cerca de 1 em cada 12 adolescentes já são obesos. Assim como não se age sobre, não se fala sobre, nem mesmo nas escolas, formadoras e propulsoras de opinião.
Então, o que guarda o futuro se nada continuar sendo feito? Diabetes, colesterol alto, hipertensão, problemas cardíacos e respiratórios, lesões de coluna, baixa auto estima e três tipo de câncer em quase 12 milhões de jovens.
Assim, pode-se afirmar que a obesidade infantil é um dos reflexos indiretos do crescimento, mas é negligenciada. Cabe portanto, para atenuar este cenário a ação conjunta do governo e das escolas públicas e privadas ao iniciar desde cedo um programa de educação alimentar, com alunos e pais, através de palestras conscientizadoras. Também, é necessário o planejamento do cardápio dessas instituições, por médicos e nutricionistas, e o incentivo de atividades físicas, em sala e fora dela. Somente assim, o futuro preocupante da saúde do jovem brasileiro pode ser evitado.