Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 17/09/2025
De acordo com o filósofo Platão, a associação entre saúde física e mental seria imprescindível para a manutenção da integridade humana. No entanto, observa-se que, infelizmente, esse pensamento é ignorado quando se trata da obesidade infantil e dos desafios para combatê-la. Por isso, convém analisar a negligência estatal atrelada à invisibilidade da questão como pilares fundamentais desse cenário.
Por esse viés, é importante pontuar que o desserviço governamental diante desse impasse é, sem dúvidas, um fator que o agrava. À vista disso, vale lembrar da ideia de “Contrato Social”, do pensador John Locke, que, em resumo, afirma ser dever do Estado garantir o bem-estar social da população. Nesse sentido, nota-se que o governo falha em sua missão quando permite propagandas de alimentos hipercalóricos e industrializados — atrativas ao público infantil — em rótulos e nos meios de comunicação, consequentemente, colaborando para que a obesidade seja comum entre crianças. Dessa forma, o desestímulo à alimentação saudável permanece presente, agravando a situação.
Ademais, existe também o fator da normalização dessa problemática que intensifica a questão. Com isso, de acordo com o raciocínio da filósofa Hannah Arendt, “Quando um cenário nocivo ocorre constantemente, os indivíduos passam a vê-lo como banal”. Em outras palavras, enquanto essa condição for algo frequente, será considerado normal pelas pessoas. Dessarte, a infância continuará prejudicada pelo sobrepeso, que por si só já é fator de risco para outras mazelas como a diabetes, pois não é levado como um problema a ser solucionado, e sim como um tema corriqueiro, o que perpetua esse contexto.
Em suma, é notória a urgência da resolução desse quadro. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio da criação ou ampliação de projetos públicos, propor a implementação de conteúdos e palestras voltados à alimentação saudável nas escolas de ensino fundamental, convidando alunos e pais para combater a obesidade e a sua banalização. Além disso, é preciso que o poder público busque pela fiscalização de comerciais apelativos de alimentos não nutritivos. Assim, a premissa de Platão seria, enfim, respeitada.