Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 28/04/2018

Em consonância ao sociólogo Zygmunt Bauman, embora a inexorável sistemática capitalista global tenha conformado todo um vértice de alienação progressista, seu caráter subversivo constitui um paradigma porquanto suas próprias consequências no meio comunal. Destarte, um reflexo contemporâneo se correlaciona ao pressuposto da modernidade líquida, a partir de que tal destitui a fixidez das relações econômicas, políticas e, principalmente, interpessoais - fato o qual se traduz através do simulacro na gerência da saúde pública nacional, em decorrência da verticalização do nocivo comportamento nutricional coletivo infantil; ao passo que este seja paralelo ao consumo imediatista, à fruição e disparidades sociais, bem como à artificialidade midiática.

A princípio, conforme os ideais marxistas acerca da dubialidade monopolista moderna, a vigente época se configura como um paradoxo, a ter como viés o fetichismo de mercadoria, posto que este subverte as necessidades humanas em utopias mercadológicas. Decerto, o advento da Revolução Industrial e, por conseguinte, a subsequente mecanização dos meios de produção aliada aos progressos científicos no setor alimentício, a fim da lucratividade produtiva e expansão capitalista - a partir, por exemplo, do desenvolvimento de transgênicos e sua inserção no âmbito alimentar - constituem os conterrâneos da combinação catastrófica entre irracionalidade consumista e liquefação cotidiana, de modo a culminar num tenso descaso referente à inadequação nutricional irrigada, também, através da influência da mídia, sob o ditame dos “fast foods” e da pífia alimentação diante da população; a despeito da obesidade e outros distúrbios (hipertensão, diabetes), bem como transtornos mentais, diante dos padrões impostos globalmente.

Outrossim, perante o maniqueísmo brasileiro, infere-se o seu perfil dos extremos: da obesidade à subnutrição social. Isto é, tangente ao seu passado colonial, elitista e segregador, prevaleceram-se os laços hierárquicos porquanto a polarização de classes e marginalização da renda, o que gera a precarização da qualidade de vida e de alimentação, devido à ingerência estatal de controle referente à distribuição igualitária produtiva e investimentos voltados a manutenção do bem-estar coletivo.

Portanto, ampliar a democratização do acesso a alimentação saudável é vital; assim, incumbe-se a coação estatal, em parcerias comunitárias privadas, a fim de difundir a informação através da aplicação em profissionalização qualificada de agentes diligenciadores dos bons hábitos nutricionais nas instituições educacionais (junto a palestras), aliado à dinâmica midiática, em prol de campanhas adjacentes a popularização do culto à saúde. Ademais, políticas públicas em que o Ministério da Saúde desenvolva e incentive a agricultura familiar, a fim da promoção de empregos e alimentação saudável.

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