Desafios do combate à obesidade infantil
Enviada em 10/06/2018
Na obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Bauman, propôs que o mundo moderno é caracterizado como um conjunto de aceleradas e fluídas relações sociais. Decerto, para acompanhar esse ritmo da sociedade contemporânea, a alimentação foi negligenciada e a obesidade se tornou um grande problema, acometendo, principalmente, as crianças. Desse modo, deve-se analisar fatores de ordem educacional, além do papel da mídia na propagação da problemática.
Primordialmente, é importante pontuar, de início, a omissão do meio acadêmico quanto a má alimentação dos jovens. À guisa de Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele, entretanto, as escolas brasileiras negligenciam a saúde dos estudantes ao não instruí-los sobre os riscos da obesidade e as formas de preveni-la. Assim sendo, como reflexo de uma população ignorante frente aos hábitos alimentares ideais, aproximadamente 8% dos adolescentes são obesos e 30% das crianças apresentam excesso de peso, conforme a pesquisa do Ministério da Saúde. Dessa maneira, de acordo com Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda. Portanto, é notável que a falta de educação alimentar corrobora para o aumento da problemática.
Outrossim, tem-se os interesses financeiros na má alimentação dos brasileiros. Conforme Marx, em um mundo globalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse viés, as grandes empresas alimentícias, através da mídia, vendem a imagem de seus produtos atrelados à felicidade e a realização pessoal, quando na maioria das vezes essas mercadorias são responsáveis pela degradação da saúde do consumidor. Desse modo, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a mídia foi criada para ser um instrumento de democracia direta e não deve ser convertida em um mecanismo de opressão simbólica. À vista disso, infelizmente, é notável tal opressão da mídia, primordialmente, nas crianças ao divulgar propagandas de alimentos com personagens infantis para induzir nelas o desejo de consumir tal alimento.
Destarte, é notório que os fatores educacionais e econômicos são desafios no combate à obesidade infantil. Desse modo, é necessário que o Ministério da educação, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, crie um projeto com o intuito de incentivar a alimentação saudável na escola, que deverá consistir em palestras e debates que visam, além de incentivar uma dieta adequada a prática de esportes para combater o excesso de peso. Ademais, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, deve ampliar a fiscalização nas propagandas divulgadas pela mídia, como também, criar um fórum virtual para que a população tenha o poder de opinar na regulamentação das propagandas, a fim de não permitir que as crianças sejam induzidas por tais publicações.