Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 27/10/2018

Uma das ferramentas utilizadas pela mídia é a persuasão, que permite convencer seu alvo a comprar algo. Essa ferramenta, muito aplicada pelas indústrias alimentícias, e atrelada ao modo rápido que se vive hoje no Brasil e no mundo, causa impactos na saúde pública. Um agravante impacto é a obesidade, sobretudo a infantil, pois a indução de maus hábitos de consumo estão produzindo crianças, futuramente adultos, doentes, e, por isso, deve ser combatida.

Segundo o Ministério da Saúde, 8,4% dos adolescentes são obesos e uma a cada três crianças está acima do peso. Esses dados indicam que comidas industrializadas são preferidas pelos jovens, uma vez que são acessíveis e há um estilo de vida vendido sobre elas nas propagandas. Entretanto, o consumo dessas comidas leva à obesidade, e, por conseguinte, a doenças crônico-degenerativas, como a cirrose, o câncer de cólon e doenças cardiovasculares. A respeito dessas doenças, há um projeto lançado na Câmara, a Frente Parlamentar Mista de Combate e Prevenção da Obesidade, que visa combater a obesidade e suas consequências, por meio do acompanhamento alimentar, físico e do sono, embora ainda não tenha sido aplicado de forma eficaz.

Ainda, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou um manual de diretrizes para o combate da obesidade para auxiliar as empresas de saúde. Porém, esse manual não abrange o sistema público de saúde. Ademais, o documento procura tratar a obesidade em si, e não as doenças provocadas por aquela. É importante ressaltar que a obesidade não traz apenas problemas físicos, mas também emocionais, fator importante para uma vida saudável. Por isso, é importante educar o paladar das crianças a partir dos três anos de idade, como indica a médica Maria Paula Albuquerque, do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren).

Assim, a atuação do governo, em conjunto com o Ministério da Saúde, a ANS e a Cren, é imprescindível. Ao submeter a mídia a advertir os perigos do consumo exacerbado de produtos industrializados, expandir o documento da ANS para o sistema público de saúde, pôr em prática a frente de combate à obesidade e implementar leis que diminuam a venda de produtos ricos em gordura nas escolas, bem como divulgar campanhas para que a população mude seus hábitos alimentares, pode-se combater a doença. Essas medidas podem ser feitas por meio de leis e divulgações pelas mídias sociais. Assim, combater-se-á a obesidade infantil de forma plena, ao implementar medidas que contemplem pessoas com ou sem condições de pagar pelo tratamento, para que desta forma, haja um combate efetivo à doença.