Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 24/08/2018

A constituição Federal prevê, no art. 6º, a saúde como direito social fundamental, em virtude de sua importância para a preservação da dignidade humana. Tal preceito jurídico imprescinde, para tornar-se pleno, de uma efetiva atenção às crianças que enfrentam o problema da obesidade. No atual cenário brasileiro, essa questão enfrenta desafios concernentes à indústria alimentícia e aos hábitos contemporâneos, cujos efeitos deletérios é imperioso debater.

Primeiramente, é inafastável reconhecer as consequências negativas dos meios de produção hodiernos sobre as práticas alimentares, inclusive em relação às pessoas de tenra idade. Nesse sentido, notícia do New York Times, de 2017, demonstrou como grandes corporações viciaram os brasileiros em alimentos ultraprocessados, o que resultou no aumento na média de peso da população. Esse fenômeno impactou peculiarmente os mais novos, tendo em vista que cerca de um terço das crianças no país são obesas, segundo dados da BBC, de 2017. Desse modo, evidencia-se a necessidade de regulamentação como forma de enfrentar a problemática..

Ademais, os valores e costumes familiares são determinantes na formação do estilo de vida dos filhos, contexto esse que demanda um agir mais consciente acerca de tanto. Nessa perspectiva, é valida a ideia do filósofo Hans Jonas, na obra O Princípio Responsabilidade, segundo o qual a ação ética implica inexoravelmente na responsabilidade pelo futuro do outro. Analogamente, destaca-se o fato de que genitores obesos tem chances consideravelmente maiores de ter descendentes com a mesma dificuldade, isso em razão da replicação do comportamento alimentar na geração seguinte. Assim sendo, demonstra-se a importância de uma conduta cidadã e ética, baseada no exemplo dos mais velhos.

Por tudo isso, é necessário que o mercado de alimentos e o modo de consumo sejam repensados. Nesse viés, o Governo Federal deve intensificar a regulamentação dos setores alimentícios, com aumento da tributação incidente nos “fast foods” e majorar a restrição da venda desses produtos ao público infantil. Não menos importante, é salutar que as escolas, em parceiras com ONGs, estimulem uma reeducação alimentar dos pais de alunos, por intermédio de palestras, de modo a impactar positivamente a rotina de refeições das crianças. Desse modo, pode-se garantir o mínimo necessários para a dignidade dos menores, para que a obesidade não seja mais um problema generalizado.