Desafios do combate à obesidade infantil

Enviada em 14/06/2018

Fora dos quadrinhos

Magali, personagem de Maurício de Sousa nas histórias em quadrinhos “Turma da Mônica”, com seus oito anos de idade e um apetite fora do comum, é conhecida por sua alimentação extremamente irregular. No entanto, essa característica tem se difundido para fora das revistas infantis e, hodiernamente, o número de crianças que possuem uma nutrição desregrada é cada vez maior, fato que, somado à pouca adesão aos exercícios físicos, resulta no crescente índice de obesidade infantil.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que desde a consolidação do capitalismo no século XVI e com a ampliação das jornadas de trabalho, poucas são as famílias que planejam as refeições das crianças. Nesse viés, os alimentos industrializados e as redes de restaurante “fast-food”, devido à facilidade de acesso e à rapidez no consumo, estão cada vez mais presentes na vida dos infantes que, muitas vezes, não têm contato com refeições saudáveis nem mesmo no ambiente escolar, onde passam grande parte do dia. Consequentemente, práticas como essas contribuem com o resultado divulgado pela revista científica “The Lancet”, que apontou um número de 124 milhões de crianças obesas no mundo em 2016.

Em segunda instância, é notório o impacto da prática de exercícios físicos no combate à obesidade infantil. Contudo, dados divulgados pelo Ministério do Esporte indicam que mais de 45% das crianças brasileiras são sedentárias. Nesse contexto, atribui-se a isso a falta de incentivo por parte das autoridades, visto que o número de ambientes poliesportivos abertos à comunidade, bem como a oferta de aulas gratuitas de atividades físicas são raras, quando não inexistentes. Dessa maneira, exercícios físicos só são praticados por aquelas crianças cujo a família tem condições de pagar pelo serviço, caso contrário, o jovem torna-se apenas mais um no total de sedentários do país.

Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, é função da família incentivar a alimentação saudável e o consumo regrado dos alimentos desde os primeiros meses de vida da criança, por meio da estipulação de horários para as refeições, da adesão de comidas saudáveis na rotina alimentar e de consultas periódicas com nutricionistas. Outrossim, cabe ao Governo ofertar nas escolas públicas um cardápio variado e saudável para os estudantes, além de investir na construção de quadras e na oferta de atividades esportivas gratuitas para a população que não tem condições de pagar pelo serviço, a fim de manter a saúde daqueles que são o futuro da nação. Quem sabe assim, os hábitos da Magali fiquem apenas nas histórias de Maurício de Sousa.